“Criámos o passe rodoviário verde”. Podia ler-se num novo cartaz eleitoral da Aliança Democrática (AD) afixado esta terça-feira no cruzamento entre a Avenida dos Estados Unidos da América e a Avenida de Roma, em Lisboa. O problema? A medida aprovada pelo Governo em questão não é um passe para a rodovia, mas sim para a ferrovia.

Uma imagem que capta este lapso foi tirada quando o cartaz ainda estava a ser colado e publicada na rede social X por um apoiante do Livre. Na tarde de terça-feira, o Observador verificou que no local estavam em curso novos trabalhos para alterar a mensagem. Em vez de apenas substituir a palavra “rodoviário” por “ferroviário” (como corrigiu nos formatos digitais), a AD optou por fazer referência a uma medida diferente do Governo. “Aumentámos o complemento solidário para idosos”, lê-se agora à passagem neste cruzamento em Lisboa.

Cartaz da AD. Legislativas 2025. Aumento do complemento para idosos Observador

Outra questão levantada pelo erro no cartaz foi a autoria da medida do passe ferroviário verde, que tem vindo a ser disputada entre a AD e o Livre. Uma proposta do partido liderado por Rui Tavares para um “Passe Ferroviário Nacional” começou por ser aprovada na discussão para o Orçamento de Estado de 2023. A medida do Livre era para um passe com o valor de 49 euros mensais, que desse “acesso numa fase inicial aos comboios regionais” com o objetivo que fosse “posteriormente alargado a outros” serviços na ferrovia nacional.

Entretanto, no verão passado, o executivo liderado por Luís Montenegro prometeu pela primeira vez a criação do passe ferroviário verde, com o valor mais reduzido de 20 euros mensais. A medida foi aprovada em Conselho de Ministros e entrou em vigor no dia 21 de outubro de 2024. A abrangência da medida foi alargada sendo que, além dos comboios regionais, os detentores deste passe podem agora utilizar os restantes serviços da CP, exceto o Alfa Pendular e os comboios urbanos já abrangidos nos passes intermodais metropolitanos.

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