Coube ao cardeal Kevin Joseph Farrell, enquanto camerlengo, anunciar esta manhã a morte do Papa Francisco, aos 88 anos. Numa declaração breve a partir da Casa de Santa Marta, pelas 9h45 locais (8h45 em Portugal) o prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida destacou uma vida dedicada ao serviço da Igreja e de Deus.
“Queridos irmãos e irmãs, com profunda tristeza devo anunciar a morte do nosso Santo Padre Francisco. Às 7h35 desta manhã [6h35 em Lisboa], o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai”, começou por afirmar.
Morreu Francisco, o Papa que queria uma Igreja para “todos, todos, todos”
“Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e da Sua Igreja. Ele ensinou-nos a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados. Com imensa gratidão pelo seu exemplo de verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, encomendamos a alma do Papa Francisco ao infinito amor misericordioso do Deus Uno e Trino.”
O Papa argentino tinha sido hospitalizado em meados de fevereiro, depois de ter sido diagnosticado com uma bronquite. Depois da hospitalização, o quarto internamento desde a sua eleição como Papa, o Vaticano anunciou que Francisco tinha sido diagnosticado com uma “infeção polimicrobiana das vias respiratórias”. Só ao fim de mais de um mês de internamento, em março, é que teve alta. Desde então Francisco apareceu em público algumas vezes, incluindo durante as celebrações da Semana Santa e da Páscoa.
Morte do Papa anuncia em várias línguas
A máquina de comunicação do Vaticano trabalhou rapidamente para divulgar a morte do Papa Francisco em várias línguas do mundo, incluindo o vietnamita e o bantu, e mudar a imagem na Internet.
A meio da tarde, o L’Osservatore Romano, o jornal oficial que serve de boletim oficial do Estado Pontifício, publicou a edição em papel com a tradicional primeira página sobre a morte. “O Senhor chamou a si o Santo Padre Francisco”, lê-se na manchete do jornal.
Edizione Straordinaria de L'Osservatore Romano
Oggi, lunedì 21 aprile, alle ore 7.35 Il Signore ha chiamato a Sé
IL SANTO PADRE FRANCESCOhttps://t.co/nIjdfIBfC3 pic.twitter.com/EeJq9AKtl7— L'Osservatore Romano (@oss_romano) April 21, 2025
A notícia foi uma surpresa para os organismos do Vaticano e correspondentes na capital italiana, que se aglomeraram numa área isolada pela polícia italiana na Praça Pio XII, que antecede a Praça de São Pedro, indicou a agência de notícias espanhola EFE.
Os funcionários do Dicastério para a Comunicação do Vaticano divulgaram uma circular interna a pedir a “todo o pessoal disponível” para se juntar esta segunda-feira à tarde para dobrar exemplares do jornal da Santa Sé e depois distribuí-los na praça.
O Vaticano anunciou a morte do Papa através de um comunicado e de um vídeo do cardeal camerlengo, Kevin Joseph Farrell, além de terem soado os sinos da Basílica de São Pedro. O porta-voz da Santa Sé, Matteo Bruni, relatou os últimos acontecimentos com breves comunicados.
O sítio oficial Vatican News publicou na primeira página uma fotografia do Papa com a frase “Nos braços do Pai. 1936-2025”. Incluiu vários artigos sobre a vida de Francisco, desde a juventude em Buenos Aires, onde nasceu em 17 de dezembro de 1936 como Jorge Mario Bergoglio, até à eleição pontifícia em 2013.
Os obituários de Francisco estão nas línguas normalmente utilizadas para as comunicações da Santa Sé, como o italiano, o espanhol, o inglês, o francês, o polaco, o português e o árabe, mas também noutras de latitudes mais distantes.
O anúncio da morte foi divulgado, entre muitas outras línguas, como japonês, malaio, vietnamita, bantu lingala, hebraico, chinês, russo, coreano, sueco, arménio, mongol ou kannada, usado em algumas regiões do sul da Índia, swahili ou tigrínia etíope.
O Vaticano também deu a notícia da morte aos utilizadores das redes sociais: no Instagram, onde tem milhões de seguidores nos vários perfis em várias línguas, publicou o vídeo do anúncio, replicando-o também através das histórias.
O sítio oficial do Vaticano já não é dominado por uma foto de Francisco, mas por um escudo que anuncia a “Sede Vacante”, o período em que a Igreja Católica entra agora até que um novo Papa seja eleito em conclave.
O mesmo aconteceu com os 10 perfis oficiais do Papa na rede social X, @pontifex, em diferentes línguas. A foto e o nome do chefe da Igreja Católica foram retirados e agora aparece a frase em latim “Apostolica sedes vacans”.