O capítulo de cinco páginas sobre as ameaças da extrema-direita foi removido do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) após uma reunião do Gabinete Coordenador de Segurança (GCS), realizada a 21 de março, na qual as ministras da Administração Interna e da Justiça estavam presentes, avança a edição desta segunda-feira do Diário de Notícias.

Em causa está a informação relativa à atividade de grupos de extrema-direita que foi removida do documento remetido ao Parlamento e disponível online na página do Governo. A versão inicial do texto incluía páginas sobre “extremismos e ameaças híbridas“ e alertava para a existência, sem especificar, de uma representação em Portugal de uma organização extremista internacional classificada em vários países como organização terrorista — segundo o Expresso trata-se do grupo neonazi Blood & Honour (B&H), nome inspirado no lema da juventude hitleriana.

Agora, a secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, a procuradora da República Patrícia Barão, justifica ao Diário de Notícias que a exclusão do capítulo em causa se tratou “de uma decisão tomada na sequência da reunião de Gabinete Coordenador de Segurança (GCS)” e que “as alterações efetuadas ao documento de trabalho são produto da discussão de todos os intervenientes”.

O GCS é composto pela SG-SSI, secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SG-SIRP), GNR, PSP, PJ, SIED, SIS, Autoridade Marítima Nacional, Polícia Marítima, Autoridade Nacional da Aviação Civil, Autoridade Aeronáutica Nacional, Serviços Prisionais, Proteção Civil. Citando fonte oficial do gabinete de Patrícia Barão, o mesmo jornal refere que a reunião do dia 21 de março teve ainda “como convidadas as Ministras da Justiça e da Administração Interna”, Margarida Blasco e Rita Júdice.

No texto cortado chama-se atenção para o facto de “a falta de adoção de uma posição comum, sobretudo a nível da UE, relativamente a este tipo de grupos extremistas, poder gerar a criação de safe havens para o desenvolvimento das suas atividades, e que são aproveitados sobretudo pelas organizações extremistas internacionais com representações (chapters) em vários países, verificando-se recorrentemente a deslocalização de alguns dos seus membros”.

Segundo a investigação da Polícia Judiciária, cita o DN, “as plataformas online têm sido o palco privilegiado de atuação dos movimentos descentralizados de extrema-direita de matriz aceleracionista e/ou satânica, onde, através de uma cultura de comunicação através de memes, recrutam e radicalizam indivíduos cada vez mais jovens, muitos deles com idades inferiores a 16 anos”.

Habitualmente, o RASI é apresentado depois da reunião do Conselho Superior de Segurança Interna pelo secretário-geral do SSI, juntamente com os ministros da Administração Interna e da Justiça, mas tal não aconteceu este ano. Dez dias depois dessa reunião, a 31 de março, foi o primeiro-ministro, Luís Montenegro, quem falou sobre o RASI durante uma conferência de imprensa, sem revelar o documento final e tendo respondido apenas a uma pergunta dos jornalistas.

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