Um bebé nasceu nesta quinta-feira numa ambulância dos Bombeiros do Seixal, à porta de casa da grávida. Bombeiros dizem que estavam à espera de indicações sobre para que hospital se deveriam dirigir, dado que as urgências de obstetrícia do hospital de Almada estão fechadas. INEM e Montenegro têm outra versão: dizem que se tratava de um “parto iminente”, e por isso foi realizado no local pela equipa médica da VMER, com o apoio dos bombeiros.

Segundo o presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Mistos do Seixal, no distrito de Setúbal, a ambulância foi acionada pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) pelas 16h15 para transporte de uma grávida residente nas Paivas.

Brázio Romeira explicou que a ambulância chegou ao local às 16h24, estando já junto à grávida uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Almada. Enquanto aguardavam por indicações do CODU para saber para onde se deveriam dirigir, a grávida entrou em trabalho de parto e a criança, um menino, nasceu às 16h45.

“Ambos estão bem”, disse adiantando que a mãe e o bebé foram depois transportados para o Hospital S. Bernardo, em Setúbal, onde deram entrada às 17h19.

Em declarações à Rádio Observador, o comandante dos Bombeiros do Seixal, José Mendes, confirma que foram “solicitados para uma situação de uma grávida em que foi também acionado a VMER de Almada”. “A questão seria um parto iminente“, afirma ainda. “Quando [os bombeiros] chegaram ao local, o tempo que lá estiveram foi à espera de saber o hospital de destino e entretanto o bebé nasceu na ambulância”, acrescentou.

José Mendes informa que mãe e filho foram encaminhados para o Hospital de Setúbal. Nega, no entanto, que tenha existido anormalidade no tempo de espera para a grávida ser encaminhada para uma unidade hospitalar. Admite, ainda assim, que o hospital de referência é o de Almada, e que “neste momento está com constrangimentos”.

Num comunicado enviado ao Observador, o INEM confirmou que foi acionada, às 16h15, uma “ambulância dos Bombeiros do Seixal e a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Hospital Garcia de Orta para assistência a uma grávida (40 semanas e 1 dia) que se encontrava nas Paivas, Seixal”.

Quando as equipas chegaram ao local, verificaram que se tratava de um “parto iminente”, que foi realizado no local pela equipa médica da VMER, com o apoio dos bombeiros. “A grávida e bebé foram depois transportados em segurança para o Hospital de Setúbal, que tinha a urgência de obstetrícia a receber serviços CODU”, acrescentam.

O caso foi utilizado como arma de arremesso político no debate desta quinta-feira entre Luís Montenegro e André Ventura. Depois de o líder do Chega ter acusado o Governo de não melhorar a área da Saúde durante a última legislatura — usando como exemplo este parto numa ambulância —, o primeiro-ministro defendeu que os profissionais de saúde que foram acionados decidiram assistir a mulher no local “por razões de segurança”, por se tratar de um parto iminente.

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Este é o segundo parto realizado numa ambulância dos Bombeiros Mistos do Seixal em menos de uma semana.

Na madrugada de domingo de Páscoa uma grávida de 37 semanas teve o bebé numa ambulância dos bombeiros do Seixal antes de chegar ao hospital em Lisboa, para onde tinha sido encaminhada.

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Em declarações à agência Lusa a propósito deste caso ocorrido na Páscoa, o presidente da Associação Humanitária de Bombeiros Mistos do Concelho do Seixal explicou que foram acionados pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) para uma situação de uma grávida de 37 semanas “com contrações significativas”, tendo sido solicitado o seu transporte para o Hospital de S. Francisco Xavier, uma vez que as urgências do Garcia de Orta, em Almada, estavam encerradas.

Brázio Romeira adiantou que foi também acionada a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) e, durante o caminho, acabou por ter de ser feito o parto na ambulância.

“É difícil compreender estas situações que estão a acontecer constantemente devido aos constrangimentos nas urgências dos hospitais e, no caso do Garcia de Orta, com graves consequências para a população do nosso concelho”, disse o presidente dos Bombeiros do Seixal.

Três urgências vão estar fechadas no feriado de 25 de abril, número que sobe para seis no sábado e no domingo, a maioria de obstetrícia e ginecologia, segundo a informação publicada no Portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

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De acordo com as Escalas de Urgência do Serviço Nacional de Saúde, atualizadas pelos hospitais, vão estar encerradas na sexta-feira as urgências de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Garcia de Orta, em Almada, do Hospital Amadora-Sintra e do Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro.

No sábado, está previsto o encerramento dos serviços de urgência destas especialidades nos hospitais de Almada, do Barreiro, Vila Franca de Xira e do Hospital Distrital de Santarém (Obstetrícia).

Durante os três dias, o serviço de urgência de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital São Bernardo, em Setúbal, vai estar condicionado, recebendo apenas casos encaminhados pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

Os constrangimentos dos serviços de urgência devem-se, sobretudo, à falta de médicos especialistas para assegurarem as escalas, uma situação que é mais frequente em períodos de férias, como o verão e final de ano, e fins de semana prolongados.

Segundo o canal de televisão CNN Portugal, a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) vai avançar nos próximos dias com uma auditoria sobre estes encerramentos.

A auditoria, que terá início na próxima segunda-feira, incidirá, no imediato, no Hospital Garcia de Orta e no Hospital do Barreiro.

Neste último, por a urgência estar temporariamente encerrada ao exterior, uma grávida acabou por ter a criança no corredor do hospital.

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O próprio diretor-geral irá deslocar-se aos hospitais para dar início ao processo de auditoria. “A ideia é explicar aos médicos o objetivo da auditoria e ajudar os hospitais a arranjar soluções para melhorarem o estado das coisas”, disse Carlos Caeiro Carapeto.

O período analisado na auditoria será entre 13 de abril e 04 de maio, que inclui as semanas com os feriados de 25 de abril e de 01 de maio.