Cristiano Ronaldo nunca assumiu abertamente o objetivo de jogar ao lado do filho, Cristiano dos Santos (ou Cristianinho), como aconteceu por exemplo com LeBron James, grande figura dos Los Angeles Lakers que aos 40 anos teve a oportunidade de estar em campo com o filho mais velho, Bronny – a experiência não foi a melhor, com muito peso dos holofotes mediáticos à mistura, mas ficará marcada para o resto da vida. Ainda assim, e enquanto mantém a corrida ao 1.000.º golo que o iria imortalizar mais na galeria dos maiores de sempre no futebol mundial, o capitão da Seleção não veria com maus olhos essa hipótese. Por enquanto, é uma não questão. Contudo, nos próximos dois/três anos, poderá ser um tema em cima da mesa.

O início da semana ficou marcada pela chamada do filho mais velho de Cristiano Ronaldo à Seleção Sub-15, primeiro patamar das camadas jovens nacionais ainda sem competições oficiais no plano internacional mas que funciona como oportunidade inicial para criar o grupo que daqui a dois anos estará a lutar pelo Europeu de Sub-17. Portugal vai defrontar Japão, Grécia e Inglaterra no Torneio Internacional Vlatko Markovic, na Croácia, e todos os olhos estão concentrados em Cristianinho, que representa agora o Al Nassr depois das passagens pela formação da Juventus e do Manchester United, os clubes que o pai então representava. “Orgulho em ti”, escreveu o avançado da equipa saudita. “A avó vai estar lá”, garantiu Dolores Aveiro.

O início desta semana foi de festa para a família, a última nem por isso. Depois da goleada com o Yokohama Marinos, o Al Nassr perdeu nas meias-finais da Liga dos Campeões asiática contra outra formação japonesa, o Kawasaki Frontale, e viu de novo adiada a possibilidade de conquistar o principal troféu continental (que o clube nunca ganhou). Ronaldo continua apenas com uma Taça dos Campeões Árabes desde que chegou à Arábia Saudita mas as más notícias não ficaram por aí pelo impacto “indireto” que o desfecho da final veio trazer: devido à vitória na prova do Al Ahli de Galeno, a Liga saudita ficou apenas com dois lugares de qualificação para a próxima edição da Champions numa altura em que o Al Nassr ocupava a terceira posição.

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Se antes já era importante subir na classificação, até por ser agora o único objetivo da temporada em jogo, agora essa necessidade tornava-se uma obrigatoriedade tendo em conta os dois pontos de desvantagem para o Al Hilal já sem Jorge Jesus e os oito para o líder Al-Ittihad. Era contra o conjunto de Jeddah que começava esse caminho das cinco jornadas finais, num encontro que não só poderia manter o Al Nassr na luta por uma vaga na próxima Liga dos Campeões como, em caso de vitória, reabria a questão do título. Mais uma vez, a formação de Riade foi do sonho ao pesadelo, sofrendo nova derrota e complicando e muito as contas, descendo à quarta posição a 11 pontos do líder Al-Ittihad, a cinco do Al Hilal e a um do Al Ahli.

Ao contrário do que tem acontecido nos últimos jogos da Liga saudita, o Al Nassr teve uma entrada muito mais intensa, a pressionar alto, a jogar rápido e… a marcar: na sequência de um lançamento lateral na direita de Sultan Al-Ghannam com corte incompleto de Danilo Pereira, Sadio Mané ganhou a segunda bola e atirou de pé esquerdo para o 1-0 (3′). A equipa da casa percebia a importância do momento e aproveitava também o arranque desorganizado do líder da Liga saudita para continuar por cima, tendo mais uma boa oportunidade numa transições rápida lançada por Brozovic com Ronaldo na esquerda para um remate cruzado cortado por Danilo quando seguia para a baliza (12′). Até de bicicleta o avançado tentou mas sem sucesso (25′).

Aos poucos, o Al-Ittihad foi começando a encontrar outras soluções ofensivas, tendo mais bola e chegando de forma mais recorrente ao último terço. O que ficou a faltar? A eficácia: Karim Benzema desviou de cabeça à trave após cruzamento de Moussa Diaby da direita (36′), N’Golo Kanté rematou cruzado mas ao lado após assistência do antigo avançado do Real Madrid (37′). Logo na jogada seguinte, foi mesmo o Al Nassr que chegou ao 2-0 em mais uma jogada com Sadio Mané a assumir o protagonismo a receber na área, a perceber a movimentação dos companheiros a chegar e a estender a passadeira para o 2-0 de Ayman Yahya (37′).

Laurent Blanc, antigo campeão mundial e europeu pela França, assistia no banco ao que se passava sem uma aparente capacidade de inverter o rumo dos acontecimentos, esperando pelo intervalo para poder corrigir posicionamentos e… mudar o jogo: em pouco mais de três minutos, o Al-Ittihad chegou ao empate com o 2-1 por Benzema aproveitando a descoordenação entre Bento e os centrais após cruzamento de Abdulrahman Alobud (49′) e o 2-2 por Kanté num remate cruzado após arrancada pela direita de Diaby (52′). O encontro acabou depois por baixar o ritmo mas tinha ainda um capítulo por escrever nos descontos, com Houssem Aouar a aparecer sozinho ao segundo poste para fazer a reviravolta numa recarga após defesa de Bento e deixar Ronaldo de novo à beira de um ataque de nervos a protestar com o setor defensivo (90+4′).