Um dermatologista do Hospital de Santa Maria ganhou mais de 51 mil euros num único dia de trabalho em 2024, ano no qual somou cerca de 400 mil euros auferidos em 10 sábados de trabalho adicional, avançou esta sexta-feira a CNN.
Segundo a estação televisiva, que analisou milhares de documentos do hospital entre 2021 e 2024, o dermatologista Miguel Alpalhão beneficiou das condições do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), ao qual pode aceder após o cumprimento de uma meta quantitativa. Neste caso, a produção realizada ao abrigo do SIGIC não pode exceder um terço da produção cirúrgica total.
De acordo com os dados do SIGIC, que serve para reduzir as listas de espera para cirurgias através de incentivos financeiros para os médicos cirurgiões, o dermatologista terá inclusivamente usado um sábado para retirar lesões benignas aos seus pais.
Segundo a CNN, Miguel Alpalhão é o elemento do departamento de cirurgia que introduzia os dados das cirurgias em dias de trabalho adicional no sistema informático.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 1.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]
O presidente do Hospital de Santa Maria, Carlos Martins, reagiu ao mesmo canal televisivo garantindo que, “se existisse alguma situação anormal, ela seria reportada ou seria detetada”. “O médico em causa não ganhou 400 mil euros em 10 dias. Isso era impossível. Digo-lhe que todos os sinais de alarme disparavam”, continuou, acrescentando que há “vários momentos de controlo” no SIGIC.
Entretanto, o responsável máximo do hospital suspendeu a partir deste sábado as cirurgias em programa adicional e comunicou a situação à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) para uma investigação, além de abrir uma auditoria interna sobre o caso. Em paralelo, o Ministério Público solicitou também ao hospital mais informações sobre esta matéria.