Desde 2021, data em que começou a realizar cirurgias adicionais, até ao ano passado, Miguel Alpalhão, dermatologista no hospital de Santa Maria, realizou, um total de 497 cirurgias adicionais, pelas quais ganhou 714.829 euros, revelou esta quinta-feira o jornal Expresso, que teve acesso aos números do hospital de Lisboa.
Os dados registam uma tendência de crescimento na sua atividade adicional, ou seja, operações eletivas realizadas ao sábado com o objetivo de reduzir o número de doentes em filas de espera em troca de incentivos financeiros aos profissionais de saúde — uma tendência da qual o dermatologista faz parte e não é caso isolado. No primeiro ano, 2021, realizou 64 cirurgias neste registo e no ano passado o número chegou às 234.
A evolução de cirurgias adicionais revela ainda uma quebra em 2023, ano em que fez apenas 86 operações, uma vez que só trabalhou durante quatro meses desse ano. Na passada quarta-feira, a CNN Portugal já tinha avançado que o médico tinha passado oito meses de baixa em 2023.
Além dos valores mais detalhados sobre os ganhos do dermatologista, o semanário também relatou que a situação irregular não deverá ter sido causada por uma codificação incorreta. Este processo deveria ser feito por um médico codificador, mas devido à falta de recursos não é inédito que os médicos façam a codificação das suas próprias cirurgias. No caso do dermatologista de Santa Maria, codificação estava clinicamente correta — ou seja, as cirurgias indicadas no sistema eram, efetivamente, as que o médico realizava.
O que acontecia é que os casos mais caros eram marcados como cirurgias adicionais, enquanto as cirurgias mais simples eram realizadas durante o horário normal de trabalho, ao abrigo do qual realizou, no mesmo período, quase 1500 cirurgias.
O jornal adianta que estas irregularidades fizeram soar alertas na administração do hospital que tomou medidas, como afastamento do médico codificação e o limite de severidade das operações pelas que poderia receber, assim como a realização de uma auditoria clínica, que teve resultados de “normalidade”.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 2.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui.]