O Vaticano instaurou, antes da Páscoa (20 de abril) um “processo disciplinar” ao bispo Carlos Azevedo, avançou esta segunda-feira a RTP e confirmou o Observador junto da Conferência Episcopal Portuguesa. A conferência dos bispos não detalhou, no entanto, a natureza do processo.
“A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) teve conhecimento da existência de um processo disciplinar relativo ao bispo em questão, cuja competência jurídica é exclusiva da Santa Sé, tendo em conta que o bispo em causa integra um organismo da Cúria Romana”, lê-se no esclarecimento enviado ao Observador.
O bispo, nascido em 1953 em Santa Maria da Feira, está desde 2011 no Vaticano, quando foi chamado para exercer funções como delegado do Conselho Pontifício da Cultura. Em 2022, assumiu o cargo de delegado do Comité Pontifício para as Ciências Históricas — onde figuram outros dois portugueses: o investigador Henrique Leitão e a investigadora Maria de Lurdes Fernandes
No entanto, antes da ida para Roma, começaram a surgir as primeiras denúncias sobre Carlos Azevedo, relacionando com suspeitas de assédio sexual, reveladas em 2013 pela Visão.
A revista falava numa “denúncia apresentada ao núncio apostólico em 2010” que estariam na origem de “suspeitas de assédio sexual” a padres e sacerdotes. Os factos foram cabalmente negados pelo próprio que, em declarações à SIC, disse que “remexer em assuntos de há 30 anos que não ofenderam a moral pública, não serve de modo ético a informação, mas visa, meramente, sensacionalismo para destruir pessoas”.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 2.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui.]
Em 2013, recorda a RTP, o Vaticano negou a existência de um processo disciplinar e nunca foram conhecidos novos desenvolvimentos relacionados com estas suspeitas.
“A CEP mantém a posição de não se pronunciar sobre casos concretos, sobretudo se os processos ainda estão em curso, de modo a respeitar o segredo de justiça e os direitos de todos os envolvidos”, acrescentou ao Observador a conferência dos bispos.
Com formação em História Eclesiástica, foi nomeado bispo auxiliar de Lisboa em 2005 — em Portugal, chegou também a ser secretário da CEP, presidente da Comissão Episcopal de Pastoral Social e membro da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.