“Estarei sempre disponível para o país, seja o Governo, seja o Banco de Portugal, seja a universidade, onde posso fazer o que mais gosto que é falar“, afirmou Mário Centeno nesta sexta-feira naquela que poderá ter sido a sua última apresentação pública de um relatório do Banco de Portugal. Foi a apresentação do Boletim Económico de junho, uma publicação trimestral onde o supervisor financeiro reiterou a previsão de défices públicos nos próximos três anos (incluindo 2025) e cortou significativamente a projeção de crescimento para este ano.
Sem querer alongar-se em comentários sobre o tema, Mário Centeno afirmou que tem “um mandato para cumprir”, acrescentando, entre dentes, “que [disse que] iria cumprir“.
O governador do Banco de Portugal já por várias vezes disse que, na sua perceção, a regra é que os governadores cumpram dois mandatos consecutivos, aqueles que são permitidos por lei. Mário Centeno recusou revelar, questionado pelo Observador, se já foi contactado pelo Ministério das Finanças sobre a sua continuidade ou não continuidade.
“Há um processo institucional em curso, que está a ser tratado“, afirmou, recusando fazer comentários sobre reuniões que tem com outros responsáveis.
Mário Centeno assumiu o cargo de governador do Banco de Portugal a 20 de julho de 2020, poucos meses após sair do Ministério das Finanças em plena pandemia de Covid-19.
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