Em clima de festa, Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa subiram este sábado ao palco das comemorações em Estugarda, em vésperas do 10 de junho, para falarem com a comunidade portuguesa, entre palavras de apoio, pedidos de aplausos e elogios aos emigrantes. Para Montenegro, o momento mais de entusiasmo mais inflamado aconteceu ao falar das finanças portuguesas, tão boas que estão em estado “exemplar” e, fez questão de dizer, melhores do que as da Alemanha.
Numa altura em que se acumulam avisos quanto aos fatores de incerteza internacional que podem afetar as contas públicas, Montenegro deixou uma mensagem de segurança sobre uma altura em que “Portugal tem todas as condições para estar otimista”, tratando-se neste momento de um “país exemplar do ponto de vista económico e financeiro”.
“Sei que não é muito normal dizer isto: a Alemanha é um grande país, a maior economia da Europa, mas neste momento as finanças públicas de Portugal estão melhores do que as da Alemanha”, atirou, frisando que Portugal quer acolher investimentos de empresas alemãs e pedindo até à comunidade portuguesa que ajude a fazer “da Alemanha um país ainda mais desenvolvido” e “de Portugal um dos países mais desenvolvidos”.
O primeiro-ministro disse reconhecer que “os desafios são grandes” e que a economia alemã está “contraída”, o que afeta a Europa, mas sempre num tom positivo: tem esperança de que a Alemanha “dê a volta por cima” e que se construa um ciclo sólido na Europa. “Temos de fazer o que nos compete a nós: estimular agentes económicos, atrair investimento externo — e a Alemanha é um parceiro privilegiado nas importações e exportações. Portugal está estável do ponto de vista económico, social, financeiro e político,” defendeu.
Por isso, nos próximos anos o foco será aumentar salários ou baixar impostos, assim como criar riqueza para “contrariar essas previsões” mais negativas. “Já no ano passado o Banco de Portugal tinha previsões mais pessimistas do que o Governo, e as metas superaram todas as expectativas”, frisou. Portugal não é “imune às incertezas” e terá “muito trabalho a fazer”, mas Montenegro diz ser “realista, com os pés assentes na terra” e contar com o PRR e os instrumentos dados às empresas para receber investimento “seguro”.
Para o primeiro-ministro, entre o crescimento da economia e “a melhor gestão dos recursos públicos” — ou seja, a sua reforma do Estado, que levou à criação de um novo ministério neste segundo Governo — será possível contrariar as previsões mais negativas, que apontam para uma existência de défice no próximo ano.
Montenegro assegurou também que não haverá nenhum orçamento retificativo para aumentar o investimento em Defesa, que o Governo quer acelerar para chegar aos 2% do PIB ainda em 2025, um calendário novo que não estava previsto no programa eleitoral. “Vamos fazê-lo de acordo com as disponibilidades nas Finanças” e aprovar um Orçamento no próximo ano a contar com isso, adiantou Montenegro, assegurando sem mais detalhes que não será colocado em causa o equilíbrio das contas públicas nem as necessidades sociais.
Montenegro deixa promessas à comunidade, Marcelo pede que “faça o melhor que pode”
Por entre garantias de que o Governo “não deixará só” nem sem apoio a comunidade portuguesa, que terá um “reforço na capacidade de atendimento”, o primeiro-ministro assumiu que “nem tudo funciona bem”, mas prometeu que os próximos anos servirão para “estreitar ainda mais a ligação” com os emigrantes. Até porque quer não só que quem tenha condições para isso “possa regressar”, mas também que não se percam as ligações com o país natal e que as poupanças e investimentos sejam dirigidos a Portugal. Na Alemanha, a AD ganhou as eleições por muito pouco: 19,60% contra os 18,90% do PS e os 18,80% do Chega.
Em modo animador de festas, Marcelo Rebelo de Sousa também apareceu para agradecer à comunidade por “lutar pela Alemanha e por Portugal” e mencionar Montenegro, um primeiro-ministro “reforçado, que acaba de tomar posse para quatro anos”. Entusiasmou assim as hostes: “Merece um aplauso, como quem diz: faça o melhor que pode por Portugal!”.
Para ambos houve referências a futebol — Portugal disputará este domingo, contra a Alemanha, a final da Liga das Nações, com o Presidente e o primeiro-ministro a assistirem. “É uma alegria, agora que começamos um novo mandato a quatro anos e na véspera da conquista da Liga das Nações”, dizia Montenegro. “Amanhã vai ser um grande dia”, antecipou Marcelo, lembrando que esteve na final da Liga das Nações que Portugal venceu, no Porto, e na final do Euro 2016, em França.
“Amanhã temos grandes reforços, o maior é o primeiro-ministro, os dois juntos vamos levar a taça para Portugal”, animou Marcelo. E voltou a uma fórmula clássica: o elogio rasgado aos portugueses e à comunidade. “Os portugueses são imbatíveis, são imparáveis. Vocês começaram o vosso campeonato há 60 ou 70 anos e foram ganhando jogo após jogo”.
Já aos jornalistas, disse que o contacto com a comunidade portuguesa na Alemanha “superou as expectativas” em termos de entusiasmo. “Percebe-se bem porque é que a Alemanha tem um grande respeito pela comunidade portuguesa aqui”. Depois, Marcelo insistiu que a preocupação de “todos” é trazer os portugueses com condições para regressar a Portugal “o mais rápido possível”, acenando com a cabeça enquanto os jornalistas lembravam que as previsões financeiras são menos simpáticas do que as que o Governo adianta.