O ataque israelita ao Irão, na madrugada desta sexta-feira, foi decidido ao “último minuto”, mas a operação apelidada Rising Lion começou a ser preparada muito antes. A ofensiva, que tinha como principais alvos as infraestruturas nucleares iranianas, resultou de uma cooperação entre as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) e da agência secreta Mossad, que trabalharam “lado a lado durante anos”, revelaram fontes ligadas aos serviços de segurança de Israel à imprensa.

Um dos primeiros passos de Israel foi estabelecer uma base de drones em solo iraniano, perto da capital, Teerão. Segundo uma fonte ouvida pelo Times of Israel, os equipamentos foram ativados durante a noite e atingiram os lançadores de mísseis terra-a-terra apontados ao território israelita.

O mesmo jornal acrescenta que as forças israelitas levaram a cabo uma operação para transportar armas para o Irão com o objetivo de destruir os sistemas de defesa aérea. Por outro lado, operacionais da Mossad conseguiram entrar no país para colocar mísseis de precisão perto de bases no centro do Irão.

Ao mesmo tempo, as IDF e a Mossad recolheram informações sobre os membros de topo do setor da defesa iraniano e cientistas do programa nuclear a atingir, refere o Haaretz. Até agora, o Irão indicou que o ataque resultou na morte dos três comandantes mais poderosos do país e pelo menos dois cientistas.

A operação Rising Lion foi possível graças ao “pensamento inovador”, “planeamento ousado” e utilização “cirúrgica de tecnologias avançadas, forças especiais e agentes a operar no coração do Irão”, sublinhou uma fonte com conhecimento da preparação ao Times of Israel. “Estávamos a preparar esta operação há muito tempo”, confirmou o chefe do Estado-Maior do exército israelita, Eyal Zamir, numa declaração esta sexta-feira em que garantia que o país estava preparado para a retaliação de Teerão.

As primeiras explosões em território iraniano foram ouvidas pelas 3h30 locais (1h em Portugal continental). No entanto, quinta-feira vários jornais internacionais, como o Wall Street Journal, tinham já avançado que uma ofensiva estaria eminente. As IDF justificam a decisão com a “ameaça iminente” de o Irão conseguir ter uma bomba nuclear em breve.

Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, o ataque foi decidido “no último minuto, depois de esgotadas todas as vias”. “O mundo inteiro viu e compreendeu que os iranianos não estavam dispostos a parar e que nós tínhamos de os parar. O último relatório da AIEA (Agência Internacional da Energia Atómica) ilustra as graves violações cometidas pelo Irão. Sabemos que nos esperam dias difíceis, mas não temos outra alternativa”, disse Gideon Saar durante um telefonema com o homólogo alemão, Johann Wadephul.

As autoridades israelitas adiantaram que mais de 200 aeronaves da Força Aérea estiveram envolvidas na operação e que foram largadas mais de 300 munições em cerca de 100 alvos. Todos os pilotos regressaram ao país incólumes, garantiram.

Na sequência do ataque, lançaram-se dúvidas sobre um eventual envolvimento dos Estados Unidos. Num primeiro momento, as IDF recusam comentar, segundo a Reuters, se Washington tinha colaborado. O embaixador israelita nas Nações Unidas garantiu, entretanto, que se tratou de uma decisão independente. Na mesma linha, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sublinhou que Israel “tomou ações unilaterais contra o Irão”, avisando que o Irão não deve atacar os EUA em resposta.

O Axios tinha avançado ainda durante a tarde de quinta-feira que a administração Trump informou o governo de Israel de que seria uma missão a solo de Telavive e não será uma operação conjunta. O Presidente dos EUA, Donald Trump, já reagiu ao ataque do país aliado, que descreveu como “excelente”, exigindo a Teerão que aceite um acordo nuclear.