O ator Adérito Lopes quebrou o silêncio após as agressões de que foi vítima esta terça-feira por um grupo de extrema-direita no Teatro A Barraca, em Lisboa. “Fui agredido violentamente no rosto”, denunciou.

Numa nota publicada nas suas redes sociais esta quinta-feira, o ator recordou que, na passada terça-feira, na chegada ao teatro, foi “absolutamente surpreendido por um cruel e brutal ato de violência, totalmente gratuito”. Adérito Lopes garantiu que não da sua parte não houve “qualquer ação em relação à pessoa do agressor ou em relação a qualquer outra pessoa ali presente”.

“Entendo que este vil ataque de que fui vítima tem de ser exemplarmente investigado e punido pela justiça, em homenagem a princípios constitucionalmente consagrados, como o do direito à integridade pessoal, aplicáveis a todos os cidadãos do nosso país”, afirmou Adérito Lopes.

O ator disse que não vai prestar mais detalhes. “A minha posição não é motivada por medo”, justificou, explicando que entende que cabe à justiça “resolver este assunto” e também “por não querer transformar este incidente num trampolim publicitário ou numa oportunidade mediática a favor do agressor e/ou de grupo de que alegadamente fará parte”.

Adérito Lopes destacou ainda “todas as manifestações de afeto, indignação e respeito” que tem recebido de várias pessoas. O ator agradeceu ainda ao coletivo d’A Barraca, em particular à atriz Maria do Céu Guerra “pela presença e postura destemida”.

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Grupo que agrediu ator terá insultado sheik

Na edição desta quinta-feira, o Expresso adianta que o grupo neonazi que agrediu Adérito Lopes terá estado, horas antes, no dia 10 de junho, na cerimónia do Dia de Portugal, realizada no Monumento aos Combatentes do Ultramar, em Belém, onde esteve o candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo e o imã da Mesquita Central de Lisboa, o sheik David Munir. Nesse evento, o grupo terá insultado o líder religioso. 

Segundo contou fonte policial ao Expresso, o ator foi atacado a soco por um jovem de 20 anos, este que foi depois identificado pelas autoridades. Antes disso, uma atriz já tinha assediada. A Polícia Judiciária está a investigar a tese de que estas agressões podem ter sido uma espécie de “ritual de iniciação” dentro do grupo de extrema-direita.