Donald Trump começou por dizer que era “provável”, a Casa Branca deu mais certezas e agora é oficial. O TikTok tem mais 90 dias para ser vendido e cortar laços com a China de forma a evitar um bloqueio em território norte-americano, onde tem mais de 170 milhões de utilizadores. A terceira extensão do prazo, que terminava esta quinta-feira, foi confirmada pelo Presidente na sua rede social Truth Social. Desta forma, a rede social tem agora até 17 de setembro para deixar de pertencer à chinesa ByteDance.

Os rumores de que o prazo seria estendido pela terceira vez, depois de isso já ter acontecido em janeiro e abril (ainda que tenha sido por 75 dias e não 90, como desta vez), começaram a circular no início do mês. Tanto o The New York Post como o The Wall Street Journal, com base em fontes governamentais, avançaram que a intenção de Trump era dar mais tempo à plataforma de vídeos curtos para que fosse alcançada uma venda.

A cerca de 48 horas do fim do prazo, na terça-feira, o próprio Presidente norte-americano sinalizou que esse era o cenário mais provável. Ao ser questionado pelos jornalistas sobre uma possível prorrogação do prazo, respondeu de forma sucinta, com um “provavelmente, sim”, antes de lembrar que o negócio tem de receber a aprovação da China. Ainda assim, mostrou-se confiante: “Penso que o Presidente Xi [Jinping] acabará por aprovar [um acordo].”

Trump diz que é “provável” que vá dar mais tempo ao TikTok nos EUA

Horas depois, nesse mesmo dia, a Casa Branca disse que Trump iria assinar uma ordem executiva para dar mais tempo ao TikTok para deixar de ser propriedade da chinesa ByteDance e passar a ser detido por uma empresa norte-americana para continuar a operar nesse mercado. “O Presidente Trump vai assinar uma ordem executiva adicional esta semana para manter o TikTok a funcionar”, revelou Karoline Leavitt, secretária de imprensa da Casa Branca, lembrando que o líder dos EUA não quer “ver o TikTok desaparecer”.

Além disso, Karoline Leavitt disse, segundo a CNBC, que a administração norte-americana passará esses 90 dias ‘extra’ a “trabalhar para garantir que um acordo é alcançado, para que os americanos possam continuar a utilizar o TikTok com a garantia de que os seus dados estão seguros”. Preocupações com a segurança nacional e a possibilidade de a rede social ser utilizada como ferramenta de espionagem ao serviço de Pequim estão na base da legislação que foi aprovada no ano passado nos Estados Unidos, ainda liderados por Joe Biden.

A plataforma tentou contestar a legislação — que a colocou sob ultimato para sobreviver em solo norte-americano — mas a decisão da administração Biden foi confirmada pelo Supremo Tribunal. Assim, o TikTok e a ByteDance ficaram sem mais hipóteses de recurso. Em janeiro, face à entrada em vigor da lei, a rede social esteve brevemente indisponível nos EUA. Contudo, logo após chegar à Casa Branca pela segunda vez, Trump deu-lhe mais tempo. Mais 75 dias, que terminaram em abril.

O Presidente norte-americano ainda acenou com uma possível redução nas tarifas impostas à China, mas nenhum acordo foi alcançado. Por isso, uma vez chegados a abril, o prazo voltou a ser prolongado por 75 dias, que terminaram esta quinta-feira. O facto de Trump conceder uma ‘terceira vida’ ao TikTok não é uma surpresa, uma vez que em maio já tinha dito, em entrevista à NBC News, que alargaria o prazo se até ao fim não conseguisse alcançar uma venda.

De acordo com a agência Associated Press, não é claro quantas vezes Trump pode ou vai prolongar o prazo. O Presidente norte-americano, que acumulou mais de 15 milhões de seguidores no TikTok desde que criou uma conta no ano passado, chegou a tentar, durante o primeiro mandato, bloquear a aplicação de vídeos curtos. Entretanto, mudou de ideias e em janeiro até declarou publicamente ter um “fraquinho” pela rede social que o ajudou a chegar ao eleitorado mais jovem.