O bebé da mulher que estava em morte cerebral desde fevereiro, no estado norte-americano da Geórgia, nasceu através de uma cesariana. A informação foi avançada pela família de Adriana Smith, a mulher de 31 anos que estava, até sexta-feira passada, a ser mantida em suporte de vida graças às exigências da rigorosa lei anti-aborto aplicável nesta região dos EUA.
No momento em que foi declarada a sua morte cerebral, devido a coágulos no cérebro, há cerca de quatro meses, Adriana Smith estava nas oito semanas da gestação. O seu corpo continuou ligado às máquinas com o único objetivo de o feto se desenvolver o suficiente para poder nascer, sem que a família tivesse palavra na decisão, que foi executada pela equipa médica do Hospital de Emory, em Atlanta.
À estação de televisão local 11 Alive, afiliada da NBC News, April Newkirk, a mãe da mulher, revelou que o bebé nasceu prematuro, a pesar 800g, e que está internado na unidade de terapia intensiva neonatal do hospital. “Ele está a lutar”, afirmou.
Para já, não são conhecidos pormenores do estado de saúde do recém-nascido, que terá cerca de seis meses. Foi a própria mãe de Adriana Smith a afirmar, em maio, que, segundo informações médicas, o neto “pode ser cego, pode não conseguir andar e pode não sobreviver depois de nascer”.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 5.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]
A probabilidade de a criança ter nascido com complicações de saúde graves deve-se ao facto de ter sido detetado fluido no cérebro do feto aquando da morte cerebral da mãe. Mesmo com esta informação, a equipa médica prosseguiu na intenção de manter a gravidez da mulher que morreu repentinamente.
A família divulgou publicamente o caso da enfermeira de 31 anos, que se tornou conhecido em todo o mundo, para alertar para as consequências da rigidez desta lei, que culminam em casos que levantam muitas questões éticas e morais. No estado da Geórgia vigora a “lei dos batimentos cardíacos”, uma das mais restritivas do país no que toca ao direito da interrupção voluntária da gravidez, proibindo o aborto a partir do momento em que atividade cardíaca possa ser detetada no feto.
A legislação em causa tinha sido adotada em 2019, mas só passou a vigorar quando o Supremo Tribunal dos Estados Unidos acabou com o direito constitucional ao aborto no país em 2022, ao revogar a decisão do caso Roe vs. Wade, datada de 1973.