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Jovem brasileira caiu na sexta-feira em vulcão na Indonésia e ainda não foi resgatada

Este artigo tem mais de 1 ano

Juliana caiu em escarpa do segundo maior vulcão da Indonésia. Resgate com cordas falhou — eram curtas. Drone mostrou-a viva e mexer-se há 72 horas. Na novas imagens, desta 2ª. feira, está imóvel.

Imagens de drone captadas por turistas mostraram Juliana a mexer-se na sexta-feira
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▲Imagens de drone captadas por turistas mostraram Juliana a mexer-se na sexta-feira

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▲Imagens de drone captadas por turistas mostraram Juliana a mexer-se na sexta-feira

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Juliana Marins estava a fazer uma viagem de mochila às costas pela Ásia. Chegada à Indonésia, decidiu juntar-se a um grupo de caminhantes para subir ao monte Rinjani, o segundo maior vulcão no país. Porém, na noite de sexta-feira (madrugada de sábado na hora local), a viajante terá caído no trilho e ainda não foi resgatada ao terceiro dia de buscas, depois de relatos contraditórios dos representantes locais e da família.

Para a turista brasileira de 26 anos, natural de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, a Indonésia era mais uma paragem num percurso que já tinha passado por outros países do Sudeste Asiático, como o Vietname, a Tailândia e as Filipinas. Segundo o G1, o portal da televisão Globo, Juliana ter-se-á juntado a outros cinco turistas de várias nacionalidades e a um guia turístico, fornecido por uma agência local, para fazer o percurso pelo vulcão, com mais de três mil metros de altitude no ponto mais alto.

No caminho, Juliana ter-se-á sentido cansada na subida difícil e com elevadas amplitudes térmicas. De acordo com o jornal O Globo, o guia terá aconselhado a jovem a descansar, mas não esperou por ela. A brasileira terá ficado, sozinha, para trás. Só alguns minutos depois é o que o grupo deu conta da sua falta e voltou para trás, descobrindo que tinha caído vários metros numa escarpa do vulcão.

Três horas depois da queda, segundo a família da jovem, um outro grupo de turistas passou no trilho e viu o grupo à espera do resgate, aproveitando para captar imagens com um drone que tinham. No vídeo captado, vê-se que a jovem tinha sobrevivido e conseguia mexer-se. Porém, segundo a irmã, os movimentos pareciam limitados.

“Não se sabe se ela quebrou algum osso ou alguma coisa do tipo, porque ela não se conseguia levantar, ela não se mexia. O máximo que ela fazia era mexer um pouco de braços, olhar para cima”, revelou à CNN Brasil Mariana Marins, irmã da turista, que tem encabeçado os apelos para que Juliana seja resgatada.

Ao G1, Mariana acusou o guia que acompanhava os turistas de ter deixado a irmã pelo caminho para tentar chegar ao cimo no vulcão. “Juliana ficou desesperada porque ninguém mais voltou e caiu. Abandonaram Juliana”, acrescentou ainda.

Em resposta, o guia Ali Musthofa negou que tivesse deixado a jovem sozinha, e que só tinha esperado o equivalente a um percurso de “três minutos” à frente dela.

“Depois de uns 15 ou 30 minutos, a Juliana não apareceu. Procurei por ela no último local de descanso, mas não a encontrei. Eu disse que a esperaria à frente. Eu disse para ela descansar”, contou em entrevista ao jornal O Globo.

“Percebi [que ela havia caído] quando vi a luz de uma lanterna numa encosta a uns 150 metros de profundidade e ouvi a voz da Juliana a pedir socorro. Eu disse que iria ajudá-la Tentei desesperadamente dizer a Juliana para esperar por ajuda”, descreveu Ali Musthofa ao Globo.

Um resgate que não existiu

As operações de salvamento, segundo as autoridades indonésias citadas pelo G1, começaram às 8h00 de sábado (hora de Lisboa), tendo sido suspensas no dia seguinte devido à forte neblina que se abateu sobre a zona.

Dezasseis horas após o desaparecimento, a família terá sido informada pelas autoridades indonésias e pela Embaixada do Brasil em Jacarta que as equipas de resgate teriam conseguido chegar a Juliana, entregando-lhe água, roupa e alimentos. No entanto, segundo o G1, a irmã da turista desmentiu depois a notícia.

“Soubemos, com muita preocupação e apreensão, que não é verdadeira a informação de que a equipe de resgate levou comida, água e agasalho para a Juliana”, revelou Mariana, ressalvando que a informação que tinham “é que até agora não conseguiram chegar até ela, pois as cordas não tinham tamanho suficiente, além da baixa visibilidade“.

“No primeiro momento, tentaram alcançá-la com uma corda mais curta do que o necessário, e não conseguiram. Ela passou a noite sozinha, desaparecida, e agora eles não têm mais contacto visual dela, pois ela está deslizando pelo despenhadeiro”, lamentou a irmã Mariana Marins, ao Globo.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 6.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui e o quinto aqui]

Autoridades localizaram Juliana “visualmente imóvel”

Juliana voltou a ser vista num segundo momento.  Na página de Instagram oficial do Parque Nacional do Monte Rinjani, as autoridades locais confirmaram que a brasileira foi localizada na noite de domingo “com sucesso usando um drone, numa posição presa numa falésia rochosa a uma profundidade de cerca de 500 metros e visualmente imóvel“.

A tentativa de resgate, lê-se no comunicado do parque”, enfrentou “um terreno extremo e condições climatéricas dinâmicas”, já que se abateu “um nevoeiro intenso que reduziu a visibilidade e aumentou o risco” nas operações que se realizaram na noite de domingo para segunda-feira.

Foram essas condições difíceis que levaram a que as buscas voltassem a ser suspensas, levando a família a reagir de forma revoltada no Instagram, acusando as autoridades de “negligência”.

“Um dia inteiro e eles avançaram apenas 250 metros abaixo, faltavam 350 metros para chegar à Juliana e eles recuaram mais uma vez! Mais um dia! Nós precisamos de ajuda, nós precisamos que o resgate chegue até Juliana com urgência!”, lê-se, tendo depois contado que as operações iriam ser reforçadas com dois guias “bem experientes” na região.

As autoridades, como se lê no comunicado do Parque, estão também a ponderar o uso de um helicóptero para o salvamento, embora admitam que tenha de ser especializado para poder contornar as dificuldades provocadas pelo terreno e pelo clima daquela zona.

Em comunicado, o ministério dos Negócios Estrangeiros do Brasil garantiu que está a acompanhar as operações de salvamento com dois elementos da equipa diplomática do país na Indonésia.

“Desde que foi acionada pela família da turista, a embaixada do Brasil em Jacarta mobilizou as autoridades locais, no mais alto nível, o que permitiu o envio das equipes de resgate para a área do vulcão onde ocorreu a queda, em região remota, a cerca de quatro horas de distância do centro urbano mais próximo”, lê-se numa nota à imprensa divulgada no site do governo este domingo.

Um dia depois, esta terça-feira, a família revelou num comunicado publicado no Instagram que Juliana Marins morreu.

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