A obra ainda não tem data oficial para começar, mas Mário Centeno lançou, nesta terça-feira, a primeira pedra para a construção da futura sede do Banco de Portugal, em Lisboa. A cerimónia, envolta em grande secretismo, aconteceu poucas semanas antes do fim do mandato como governador – sendo muito pouco provável que venha a ser reconduzido pelo Governo.
A cerimónia, para a qual foram convidados funcionários e diretores do Banco de Portugal, foi para consumo interno. O departamento de comunicação não respondeu às insistentes tentativas do Observador sequer para confirmar a realização deste evento.
▲ Mário Centeno e a sua pequena comitiva após o lançamento da primeira pedra da nova sede do Banco de Portugal
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
O Observador conseguiu confirmar a realização da cerimónia, contudo, através de várias fontes do Banco de Portugal, tendo deslocado um fotojornalista para cobrir o evento. Contudo, o evento de lançamento da primeira pedra no terreno da antiga Feira Popular foi à porta fechada: Mário Centeno entrou por um portão do lado da Avenida da República que estava fechado e com dois polícias a protegê-lo. Por isso, apenas foi possível fotografar Centeno após a pequena cerimónia, que teve cobertura de uma equipa de audiovisuais do BdP.
Durante a cerimónia, cada um dos membros do conselho de administração do Banco de Portugal foi chamado a deitar uma porção de cimento, num gesto simbólico – e foi, também, colocada uma placa comemorativa do lançamento desta primeira pedra (tendo, como fundo, uma obra que ainda não está em andamento).
O momento em que Mário Centeno é fotografado e filmado a lançar a primeira pedra de uma obra que ainda não começou deverá ser comunicado nas redes internas do Banco de Portugal.
Antes do lançamento da primeira pedra, Centeno visitou as instalações do edifício Marconi, localizado a poucos metros do terreno da antiga Feira Popular, que foi alugado pelo Banco de Portugal para aí instalar funcionários que estavam a trabalhar no edifício da Almirante Reis.
Obra de construção da nova sede ainda não tem data oficial para começar
A construção do novo edifício ainda não arrancou, mas Mário Centeno tenta, assim, deixar a sua marca pessoal num processo que se arrasta há várias décadas – o governador do Banco de Portugal comparou, aliás, várias vezes, o processo da construção da nova sede do supervisor com o lançamento do futuro novo aeroporto de Lisboa. Chegaram a ser equacionadas várias outras possíveis localizações na capital, incluindo a avenida de Berna e a Quinta do Bensaúde, nas Laranjeiras, entre outras.
Ao que o Observador apurou, a obra só deve estar concluída em 2027 — dois anos depois de Mário Centeno ter concluído o seu mandato. Se efetivamente não for reconduzido, passarão dois anos após ter deixado o cargo.
Banco de Portugal negoceia terrenos para nova sede nas Laranjeiras, em Lisboa
O mandato de Mário Centeno, que começou a 20 de julho de 2020, terminará no próximo dia 19 de julho – e todos os sinais apontam para que não seja reconduzido para um segundo mandato, algo que o governador não esconde que gostaria de fazer. A SIC chegou a avançar, em janeiro, que não era intenção do Governo reconduzir Mário Centeno, embora ninguém tenha confirmado oficialmente, para já, que essa será a opção de Luís Montenegro e Joaquim Miranda Sarmento.
No início de maio foi confirmado publicamente que o Banco de Portugal aceitou pagar 191,99 milhões de euros pelo edifício que (ainda) é propriedade da seguradora Fidelidade e que fica nos terrenos da antiga Feira Popular, em Lisboa. O valor, que o supervisor garantiu estar no “limite inferior das avaliações independentes realizadas”, foi revelado pelo Banco de Portugal em comunicado emitido após a assinatura do contrato-promessa de compra e venda.
O Banco de Portugal tem a sede do conselho de administração na baixa lisboeta e, também, um edifício na avenida Almirante Reis (além de outros locais como a Rua Castilho e a Avenida da República). Nos últimos anos, o Banco de Portugal arrendou o Edifício Marconi (Álvaro Pais) como solução temporária para que lá possam trabalhar pessoas que atualmente estão colocadas no edifício da Almirante Reis, um prédio que tem problemas estruturais que estão a sofrer obras. O plano é concentrar todas as atividades na nova sede futura.
O novo edifício adquirido pelo Banco de Portugal, que tem uma área bruta de construção de cerca de 32 mil metros quadrados, fica nos terrenos da antiga Feira Popular, em Entrecampos. A concretização final da transação está prevista para o final de 2027, refere o supervisor financeiro.
“A concretização desta aquisição vai ao encontro das necessidades do Banco de Portugal nos planos funcional e institucional e representa o culminar de um processo com mais de quatro décadas de procura de uma localização única na cidade de Lisboa”, afirmou o supervisor financeiro em maio, acrescentando que “a concentração de serviços permitirá reduzir os custos operacionais anuais em mais de cinco milhões de euros”.
Além disso, o Banco de Portugal garantiu que “a posterior alienação de património imobiliário do Banco de Portugal financiará uma parte substantiva do investimento”.
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