“Este capítulo acabou. A história? Ainda está a ser escrita. Obrigado a todos”. No final da temporada, mais uma em que o Al Nassr acabou por falhar todos os objetivos desportivos a que se propunha apesar da troca de treinadores a meio com a saída de Luís Castro e a entrada de Stefano Pioli, bastou um pequeno texto de Cristiano Ronaldo nas redes sociais para o mundo ficar em suspenso em relação à possibilidade de haver um novo desafio na carreira do maior goleador de todos os tempos. As semanas passaram, os convites existiram, as novidades não apareciam. Na Liga das Nações, após o terceiro título conquistado pela Seleção A, o tabu foi desfeito para uma confirmação que chegou esta quinta-feira: a renovação de contrato até junho de 2027.

“Pela Seleção, se fosse preciso partir uma perna, partia”: Ronaldo torna-se o mais velho a marcar numa final no terceiro título por Portugal

Ainda assim, não foi por falta de propostas. Alguns clubes que participam neste Mundial de Clubes fizeram contactos exploratórios com o avançado tendo em vista a utilização do capitão da Seleção nos EUA (o que seria um misto de mais valia desportiva com golpe de marketing), outros abordaram o número 7 tendo em vista a próxima época, outros ainda quiseram perceber quais eram os objetivos de Ronaldo a curto/médio prazo enquanto está no ativo. Por uma ou outra razão, nenhum desses caminho teve viabilidade. Mais: nas semanas que mediaram o final da época na Arábia Saudita e a Liga das Nações, a renovação era tratada.

Com muitos milhões envolvidos, tal como acontecera no primeiro contrato feito depois do Campeonato do Mundo de seleções de 2022, as conversas acrescentaram um outro peso à opinião do capitão em tudo o que fosse feito no sentido de melhorar a equipa do Al Nassr mas chegaram a bom porto também pela promessa “reforçada” de que o conjunto de Riade terá condições para lutar por todos os títulos, algo que acabou por não se ver em 2024/25 com o Al-Ittihad campeão, o Al Hilal a ser o grande rival na luta pelo título e o Al Ahli a conquistar a Liga dos Campeões asiática. Esse é um dos pontos que o português quer alterar: ganhar títulos ao serviço do Al Nassr, numa fase em que tem apenas uma Taça dos Campeões Árabes desde 2023.

Em paralelo, e num plano mais individual, o acordo acabou por tornar-se quase natural tendo em conta os objetivos a curto prazo de Ronaldo: chegar à meta dos 1.000 golos, algo que parecia impossível até há bem pouco tempo mas que se tornará uma realidade até junho de 2027 caso o avançado mantenha a média de golos na Arábia Saudita, e preparar da melhor forma o Campeonato do Mundo de seleções de 2026, naquela que será a última grande competição do capitão por Portugal em condições difíceis como se tem vindo a perceber pelo Mundial de Clubes nos EUA (a que se vão juntar México e Canadá no próximo ano).

“Um novo capítulo começa. A mesma paixão, o mesmo sonho. Vamos fazer história juntos”, escreveu CR7 depois do anúncio do acordo com o Al Nassr para a renovação de contrato até 2027, depois de dois anos e meio em que realizou 111 encontros com 99 golos e 19 assistências. “A ambição que sinto não tem linha de meta. É a consistência, o compromisso e o trabalho coletivo que nos farão ser melhores. E é para essa tarefa que estou. Começamos um novo capítulo!”, referiu depois em declarações ao jornal Record. Também esta semana, o português tinha deixado uma mensagem de agradecimento ao técnico Stefano Pioli, que foi dispensado pelo clube. Jorge Jesus e Sérgio Conceição foram dois nomes já ventilados para a posição.