Suor, sofrimento e sacrifício. A vida de um futebolista nem sempre é fácil. Apesar dos muitos milhões de euros que norteiam a profissão, esta requer um alto nível de compromisso que, regra geral, aparece em tenra idade. Para lá das vidas regradas e do cuidado que os atletas devem ter com o corpo, o surgimento de lesões pode ser um duro teste à resistência física e mental do desportista. Acontece no futebol como em qualquer outro desporto. O sacrifício vem ainda mais à tona quando falamos de “pequenas” lesões, daquelas que permitem ao futebolista continuar a jogar, apesar da dor e do desconforto não desaparecerem. Nestes casos, o clube escolhe meticulosamente a data da operação, geralmente no fim da temporada, e cabe ao atleta continuar a jogar até lá. A título de exemplo, Viktor Gyökeres ou Tomás Araújo enquadram-se neste capítulo.

Uma má notícia que pode ser boa? Viktor Gyökeres falha seleção da Suécia e é operado ao joelho esquerdo

O caso mais recente chega de Espanha e dá pelo nome de Jude Bellingham. Segundo o jornal As, o craque inglês vai ter de ser operado depois do Campeonato do Mundo de Clubes, seguindo-se, depois, um período de três meses de recuperação, sendo esperado que volte apenas em outubro. Até aqui, podíamos estar a falar de um episódio normal na vida de um futebolista, ou não fosse o médio estar lesionado desde… 5 de novembro de 2023. Tudo aconteceu numa partida frente ao Rayo Vallecano (casa, 0-0), quando, numa disputa de bola com Isi Palazón, aos 10 minutos, o camisola 5 sofreu uma luxação no ombro esquerdo, ainda que esta não o tenha impedido de continuar jogar… e de que maneira. Desde então, Jude participou em 100 jogos (83 no Real Madrid e 17 na seleção inglesa), num total de 599 dias a lutar contra as dores.

Para minimizar os danos provocados pela lesão, Bellingham passou a utilizar, desde novembro de 2023, uma proteção no ombro esquerdo, fosse nos jogos dos merengues, fosse nos desafios dos três leões. O objetivo passava por continuar a jogar e manter-se em forma para ser opção para a final da Liga dos Campeões, disputada em Wembley, e o Campeonato da Europa, que teve lugar na Alemanha, no final da última temporada. Já esta época, a decisão por não operar o médio manteve-se, tendo em vista os objetivos do Real Madrid e a atual participação no Mundial de Clubes, no qual os madrilenhos estão nos oitavos de final, onde vão medir forças com a Juventus, na terça-feira. Perante o contratempo, a performance de Bellingham nos relvados baixou, com a proteção a dificultar a sua mobilidade, principalmente nos jogos disputados com temperaturas mais altas, e o jogador começou a perder a paciência.

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▲ Para evitar as dores, Bellingham tem atuado com uma proteção no ombro esquerdo

UEFA via Getty Images

“Vou fazer uma operação ao ombro após o Mundial de Clubes. Estou a perder a paciência e só quero que isto acabe. Toda a equipa médica do Real Madrid tem sido incrível. Ajudam-me muito em cada partida. O ombro está bem. Cheguei a um ponto em que as dores não eram assim tão grandes, mas estava cansado de jogar com a ligadura. Quero sentir-me livre. Está muito calor, estou a perder peso de tanto suar e tenho a operação marcada para depois do Mundial”, revelou o jogador de 21 anos depois do jogo com o Pachuca (3-1), no domingo, no apontou o primeiro golo e foi eleito o melhor em campo pela FIFA.

Escreve a imprensa espanhola que, após a operação, Bellingham só deverá voltar aos relvados depois de 19 de outubro, após a segunda pausa da temporada para os compromissos internacionais. Ainda assim, a data não passa de uma estimativa, presumindo-se que o “prazo” se possa estender, mediante o que acontecer no bloco operatório e os sinais da recuperação. Certo é que o internacional inglês vai estar fora dos relvados pelo menos três meses e terá de sacrificar as suas férias depois do Mundial de Clubes para se focar na operação e consequente recuperação. Nesse período, Xabi Alonso terá de encontrar um substituto para um dos grandes nomes da sua equipa, com Arda Güler e o futuro reforço Franco Mastantuono a surgirem na calha. Também Brahim Díaz pode ter aqui a sua oportunidade.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 6.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui e o quinto aqui]