Augusto Santos Silva lamenta que António Vitorino não queira avançar com uma candidatura presidencial e diz que vai passar os próximos dias a ouvir opiniões para decidir se ele mesmo é candidato. Anunciará o resultado da reflexão na próxima quarta-feira.
O socialista, que foi presidente da Assembleia da República entre 2022 e 2024, continua a defender que “as três candidaturas até agora formalmente apresentadas não esgotam nem o espaço político nem as propostas e perfis que devem estar representados nas eleições presidenciais do próximo mês de janeiro” e garante que vai agora analisar as suas próprias hipóteses.
Isso mesmo garantiu num texto publicado nas suas redes sociais. Santos Silva foi, nos últimos anos de António Costa na liderança do PS, o nome apontado para uma candidatura a Belém. Entretanto a era Costa no PS terminou abruptamente e Santos Silva falhou, em 2024, a eleição como deputado, pelo círculo Fora da Europa. A ambição presidencial recuou e outros nomes avançaram na área socialista.
Ainda assim, o socialista manteve-se sempre na reserva, à espera da decisão de Vitorino — que considerava o melhor candidato — e agora, no Facebook, explica que a indisponibilidade do antigo comissário europeu o obriga “a uma nova reflexão sobre o quadro de candidaturas presidenciais possíveis” e inclui “a eventual apresentação” da sua própria candidatura.
Também explica que nos próximos quatro dias vai consultar pessoas cuja opinião”muito preza” e que “se tudo correr normalmente” tenciona “comunicar publicamente a decisão que tomar na próxima quarta-feira, 2 de julho.”
Santos Silva tem sido uma das vozes mais críticas da candidatura do antigo líder do PS António José Seguro. Disse várias vezes que a candidatura de Seguro não tem “os requisitos mínimos para que possa ser apoiada pelo PS e por um vasto campo de forças democráticas”. Na sua opinião, Seguro fica-se “pelas banalidades e nós precisamos de mais do que banalidades para Presidente da República”.
Não é o único socialista a ter uma opinião desfavorável da candidatura presidencial do antigo líder e, por isso mesmo, nos últimos meses existiu muita pressão junto de Vitorino pra que avançasse. O socialista revelou esta quinta-feira, na SIC-Notícias, não estar disponível para uma candidatura por não ter reunido as condições que desejava: ser o único candidato do espaço do centro-esquerda.
A animosidade que existe em alguns sectores do PS com a candidatura de Seguro tem também sido alvo de críticas por parte dos seus apoiantes. Francisco Assis chegou mesmo a dizer que parecia “estar em curso uma campanha devidamente organizada com um único intuito: impedir uma candidatura presidencial do António José Seguro”. “É legítimo não apoiar essa eventual candidatura, é inaceitável o modo que está a ser utilizado para a tentar inviabilizar”, acusou logo em janeiro.
Mais recentemente, Manuel Alegre veio defender a candidatura de Seguro e avisou o partido que “não pode pactuar com uma situação de ajustes de contas pessoais” nesta altura.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 6.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui e o quinto aqui]