A Federação Nacional de Professores aponta que quase 1,4 milhões de alunos perderam aulas neste ano letivo pela falta de professores, revelou este domingo o Jornal de Notícias, citando uma estimativa feita por João Pereira, da Federação Nacional de Professores (Fenprof).
O dirigente baseou-se nos horários por preencher divulgados pelas escolas e somou os alunos sem aulas — 826 mil no 1.º período, 402 mil no 2.º e cerca de 150 mil no 3.º. O total a que chegou (1.378.000) tem uma ressalva: há alunos que podem surgir repetidos na contagem por terem tido mais do que um professor a faltar.
De qualquer das formas, a Fenprof já olha para o ano letivo que se avizinha com “muita preocupação”. “Alguns problemas, como a falta de professores, agravaram-se”, denúncia ao Jornal de Notícias José Feliciano Costa, um dos secretários-gerais da federação.
As aulas de 2024/25 terminaram na última semana sem que o Governo divulgasse os resultados de uma auditoria ao número de estudantes sem aulas. Esta análise, pedida à KPMG, foi anunciada depois do ministro da Educação, Fernando Alexandre, ter assumido que tinha revelado números errados. “Lamento ter indicado aquele dado, hoje não o teria feito”, justificou ao Expresso.
No entanto, os resultados da auditoria estavam previstos para março e foram depois adiados para abril, mas ainda não são conhecidos numa altura em que as escolas já começam a preparar o próximo ano letivo.
Tal como em anos anteriores, a situação da falta de professores continua a ser mais crítica em Lisboa, Setúbal e Faro, apesar de a Fenprof adiantar ao JN que já não há distritos sem dificuldades nas substituições. “Foi um ano ensombrado com a falta de professores, com as regiões Centro e Norte já a sentir dificuldades nas substituições”, denuncia Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas.
Os diretores ouvidos pelo jornal dizem que a falta de professores foi combatida, por exemplo, pelos docentes que adiaram a reforma, atribuição de muitas horas extraordinárias, preenchimento de horários com professores de outros grupos, ou pelo recrutamento de profissionais sem mestrado em ensino. Em comparação com o ano anterior, e com base nas contas da Fenprof, mais 50 mil alunos foram afetados pela falta de professores.
A contagem de João Pereira focou-se também nos professores não colocados no concurso externo. Segundo os dados citados pelo JN, sobram 20051 docentes das listas para a contratação inicial e reservas de recrutamento, menos 4794 do que no ano passado.