Previa-se já que fosse um mês especial no calendário do emérito, já que a 22 de novembro de 2025 se assinalam os 50 anos sobre o dia em que Juan Carlos de Borbón foi proclamado Rei de Espanha — mas no país onde reinou 39 anos, nem sinal de comemoração oficial no horizonte, pelo menos até ver.
Aos 87 anos, exilado nos Emirados Árabes desde o ano 2020, envolto em inúmeras polémicas, e com uma saúde cada vez mais fragilizada, é em jeito de autocelebração que o pai de Felipe VI, não deixará entanto de assinalar a data redonda. A 12 desse mês, será publicado Reconciliación, o livro de memórias anunciado esta segunda-feira pela editora Planeta, que visa “preservar o seu legado” e garantir que a efeméride não ficará pelo caminho.
A obra, que sairá na mesma altura também em França, resulta das conversas mantidas nos últimos anos entre Juan Carlos e a jornalista francesa Laurence Debray, e deverá manter-se arredada de episódios de carácter íntimo, ao contrário de outras publicações recentes que têm esmiuçado estas questões. O Observador tentou apurar junto da editora se poderemos esperar também uma versão em língua portuguesa, mas até à hora de publicação deste artigo não obteve resposta.
De acordo com fontes próximas desta novidade editorial, citadas pelo La Vanguardia, o volume também não irá destapar eventuais segredos de Estado. O recheio expressa unicamente os sentimentos do protagonista em relação a alguns acontecimentos do foro pessoal, além de fornecer a sua versão sobre certos factos. Acima de tudo, Reconciliación reivindica a sua figura institucional, esforçando-se para que os feitos enquanto chefe de Estado não ofusquem os erros dos últimos tempos, ainda enquanto Rei.
Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Borbón é neto de de Afonso XIII, que reinou sobre Espanha até até ser deposto em 1931 pela Segunda República Espanhola. A República foi encerrada pela Guerra Civil Espanhola e seguida pela ditadura do general Franco, que governou até à sua morte em 20 de novembro de 1975. Apenas dois dias depois, com a transição foi assegurada por Juan Carlos, cujos pais, os Condes de Barcelona, permaneciam exilados no Estoril. Foi proclamado Rei pelas cortes espanholas em 22 de novembro de 1975. Em 2014, ao fim de quase quatro décadas no trono, o amontoado de polémicas precipitou a renúncia a favor do filho Felipe.
A abrir o título, encontra-se desde logo a explicação de Juan Carlos para o facto de ter quebrado uma regra não escrita. “O meu pai sempre me aconselhou que não escrevesse minhas memórias. Os reis não se confessam. E menos, publicamente. O seus segredos permanecem sepultados na penumbra dos palácios. Por que lhe desobedeço hoje? Por que mudei de opinião? Porque sinto que me roubam minha história”.
Na nota de imprensa tornada pública pela editora, pode ainda ler-se que Reconciliación relata em detalhe a parte privada de uma vida pública. “São umas memórias ricas em episódios que não excluem os casos mais significativos da nossa história recente, mas tampouco as alegrias e os maus momentos da sua vida íntima e pessoal. Um percurso que começa num país imerso numa guerra fraticida e com um jovem Juan Carlos ancorado a um destino que não pertence, mas que passo a passo, vencendo mil conspirações e conquistando a confiança de uns e outros, acaba por se tornando o ator principal da transformação radical de Espanha no Estado moderno e próspero que é hoje. ”
De acordo com a mesma nota, as memórias foram escritas “de coração aberto e sem concessões”. O livro aguardado para novembro viaja ainda por dois momentos de exílio, no começo e final de vida, o imposto, no Estoril, e o voluntário, em Abu Dabi, sem esquecer um conjunto de protagonistas destacados da história contemporânea.
Na capa, para um primeiro vislumbre gráfico, o emérito surge vestido com uniforme de gala de Comandante Geral com todas as suas condecorações.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 7.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui, o quinto aqui e o sexto aqui]