O Pentágono, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, confirmou que vai enviar mais armamento para a Ucrânia, horas depois do Presidente Donald Trump ter mencionado a reversão da suspensão da entrega de armas.
“Sob a orientação do Presidente Trump, o Departamento de Defesa está a enviar armas defensivas adicionais para a Ucrânia”, disse o porta-voz do Pentágono.
O objetivo é “garantir que os ucranianos se podem defender enquanto trabalhamos para garantir uma paz duradoura e garantir o fim da matança”, acrescentou Sean Parnell.
Parnell sublinhou que as diretrizes “para que o Presidente dos EUA avalie as remessas militares em todo o mundo continua em vigor” e é parte integrante das “prioridades de defesa América em Primeiro“.
Horas antes, Trump anunciou que o país vai enviar mais “armas defensivas” para a Ucrânia, uma semana depois de a Casa Branca ter suspendido a entrega de armamento a Kiev.
“Teremos de enviar mais armas, principalmente armas defensivas”, disse na segunda-feira Trump, manifestando “insatisfação” com o Presidente da Rússia, Vladimir Putin. “Estão a ser atingidos com muita, muita força”, acrescentou o republicano, referindo-se à Ucrânia.
Entretanto, Trump terá ligado a Zelensky para dizer que não foi ele a parar o envio de armas para a Ucrânia. A chamada terá ocorrido na sexta-feira, 4 de julho, escreve o The Wall Street Journal, com o presidente dos EUA a explicar ao seu homólogo ucraniano que tinha ordenado uma revisão dos stocks de munições do Pentágono, mas não que o Departamento da Defesa congelasse as entregas de armas.
Tal conversa, recorda o mesmo jornal, decorreu após Trump afirmar publicamente que estava “muito desapontado” por não haver “nenhum progresso” num acordo de paz na Ucrânia.
Essas declarações surgiram depois de uma chamada separada na quinta-feira com Vladimir Putin, em que Trump instou o presidente russo a pôr fim à guerra durante a chamada, mas este recusou, segundo o Kremlin.
“Estou desiludido, francamente, com o facto de o Presidente Putin não ter parado”, disse Trump esta segunda-feira à noite.
A 2 de julho, o secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, suspendeu a entrega de armamento à Ucrânia, alegando preocupações com as reservas dos EUA.
Os fornecimentos suspensos incluem intercetores para os sistemas de defesa aérea Patriot, projéteis de artilharia guiados com precisão e mísseis que a força aérea ucraniana dispara a partir de aviões F-16 fabricados nos Estados Unidos.
A suspensão do envio de ajuda militar à Ucrânia foi uma medida unilateral do secretário da Defesa, Pete Hegseth, de acordo com três conselheiros do Congresso e um antigo funcionário norte-americano ligado ao processo, citados na sexta-feira pela emissora NBC News.
Após o anúncio, Trump defendeu a suspensão como necessária e acusou o ex-presidente Joe Biden de “esvaziar todo o país dando-lhes armas [à Ucrânia]”.
Durante o mandato de Biden, Washington prometeu fornecer mais de 65 mil milhões de dólares (55 mil milhões de euros) em ajuda militar à Ucrânia. Pelo contrário, Trump não anunciou qualquer nova ajuda a Kiev desde janeiro.
É a terceira vez que Hegseth, por conta própria, interrompe os envios de ajuda para a Ucrânia, acrescentaram as fontes. Nos dois casos anteriores, em fevereiro e maio, as suas ações foram revertidas dias depois.
De acordo com a NBC News, a medida surpreendeu o Departamento de Estado, a Ucrânia, os aliados europeus e os membros do Congresso, que exigiram uma explicação por parte do Pentágono.
Uma análise feita por oficiais militares de alta patente concluiu que o pacote de ajuda não comprometeria o próprio fornecimento de munições das Forças Armadas norte-americanas, de acordo com três responsáveis norte-americanos citados pela emissora.