O Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) vai avançar com “uma averiguação interna às falhas procedimentais e técnicas que levaram ao atraso na afixação dos resultados das Provas Finais do Ensino Básico”, anunciou esta pasta em comunicado.

Após um atraso na divulgação das notas de quase 48 horas, o gabinete de Fernando Alexandre disse agora que irão ser “apuradas responsabilidades junto dos envolvidos nos serviços do Júri Nacional de Exames (JNE) e do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE)”.

Prova de Matemática do 9.º ano pode ser anulada em 15 escolas em virtude dos “constrangimentos reportados”

Segundo a informação que o IAVE forneceu ao Ministério da Educação, o atraso registado “deveu-se a falhas técnicas identificadas no dia 14 de julho”, ou seja, o dia em que as notas deviam ter chegado às escolas para, posteriormente, serem trabalhadas e eventualmente afixadas, no dia seguinte.  Uma das falhas que o MECI já identificou (ainda antes da averiguação acontecer), “foi a não submissão, na plataforma do IAVE, das folhas digitalizadas das provas de Matemática, o que impediu a classificação atempada das respetivas provas e que os resultados fossem enviados às escolas dentro do prazo previsto”.

Mantêm-se todos os prazos, incluindo as matrículas no Secundário

Apesar dos constrangimentos registados, as falhas “não foram transversais e atingiram apenas um número residual do total de provas realizadas: cerca de 600 provas num universo de mais de 97.000 provas, o que corresponde a cerca de 0,6%”, lê-se no comunicado.

Garantindo que “deu sempre prioridade à preservação da integridade do processo de avaliação das Provas Finais do 9.º ano”, o Ministério da Educação aproveitou ainda para apontar que, “para minimizar os constrangimentos (…) e agilizar o processo de inscrições na 2.ª fase, o JNE informou as escolas que todos os alunos sem aprovação após realização da 1.ª fase serão inscritos automaticamente na 2.ª”.

Assim sendo, a prova de Português e Matemática vão realizar-se nas datas previstas: sexta-feira (dia 18) e terça-feira (dia 22), respetivamente”. E mantêm-se ainda “os prazos previstos para as matrículas no Ensino Secundário”.

Algumas escolas já começaram a receber notas dos exames de 9.º ano. No Alentejo houve ordem para desafixar pautas

Três agrupamentos de exames do JNE “incumpriram” indicações: enviaram notas cedo demais às escolas

A pasta tutelada por Fernando Alexandre esclarece ainda que não queria “divulgar os resultados dos alunos de forma faseada, de modo a assegurar a igualdade entre todos no acesso à informação”. Por isso, “deu orientações claras e por escrito ao JNE, para que o envio dos resultados às escolas, para respetiva afixação das pautas, fosse feito ao mesmo tempo em todo o território, e apenas quando todas as provas de todos os alunos estivessem devidamente classificadas”.

Contudo, o plano correu mal em três “agrupamentos de exames do JNE no Alentejo”, nomeadamente no distrito de Beja, Évora e Portalegre. O agrupamento do Júri de Exames nestes distritos “incumpriram com estas orientações, enviando antecipadamente as classificações às escolas das suas áreas geográficas, tendo algumas delas afixado as pautas”.

Uma das escolas que passou por esta situação foi a Básica 2,3 São Teotónio, em Odemira, no distrito de Beja. Conforme noticiou o Observador, as classificações chegaram a esta escola por volta das 9h30/10h, sendo que pouco tempo depois, por volta das 12h, “veio uma indicação do JNE” para retirar as pautas “e a justificação era que tinha havido um problema informático”, contou uma professora nesta escola.

“Após a situação ter sido identificada e o JNE ter alertado para as orientações do MECI, algumas escolas acabaram por retirar as pautas afixadas, sem que essa orientação tenha partido do Ministério”, ressalva o gabinete de Fernando Alexandre.

Reconhecendo que a realização das provas finais do básico pela primeira vez em formato digital foi “um desafio para todo o sistema educativo”, em comunicado o Ministério da Educação diz também considerar que se tratou da “concretização de mais um importante passo no caminho para a digitalização na Educação”. “Este foi um esforço conjunto, a começar pelos diretores e professores, mas também dos serviços do MECI, que asseguraram as condições nas salas de aula”, lê-se ainda no documento enviado às redações.

Notícia atualizada às 18h45