Lembra-se do Ferrari Roma, o modelo de acesso à marca, o que não o impede de se situar na faixa dos 300 mil euros? Pois bem, o construtor do Cavallino Rampante reformulou profundamente este seu coupé que surgiu em 2020, tanto que optou por rebaptizá-lo Amalfi para chamar ainda mais a atenção para as alterações introduzidas. O resultado é um modelo GT (de Gran Turismo) com um habitáculo para quatro pessoas (mais pequenas nos assentos posteriores), uma bagageira decente (273 litros) para este tipo de veículos e uma estética que o aproxima da nova imagem da marca, com o novo Amalfi a assemelhar-se a um 12Cilindri, mas ligeiramente mais pequeno e acessível.

Mantendo a arquitectura dos GT da Ferrari, com uma frente mais comprida e o habitáculo recuado, de forma a permitir instalar o conjunto motor/caixa em posição central dianteira (ou seja, atrás do eixo anterior) para optimizar a distribuição de massas pelos dois eixos, o Amalfi é um desportivo rápido e eficiente, mas mais civilizado do que os restantes coupés da Ferrari com motor central traseiro, com apenas dois lugares. A unidade motriz, acoplada à mesma caixa de velocidades de dupla embraiagem e oito relações, é similar à que montava o Roma, um V8 com 3855 cc, equipado com lubrificação por cárter seco e a montar dois novos turbocompressores capazes de girar mais rápido (a marca anuncia 171.000 rpm).

3 fotos

Face ao V8 do Roma, o Amalfi extrai apenas mais 20 cv, atingindo agora 640 cv, apesar de a Ferrari o ter melhorado ao montar um bloco um quilograma mais leve, graças a um ganho na maquinação, tendo sido igualmente poupado 1,3 kg nas árvores de cames, uma vez que não é fácil reduzir o peso a um coupé com quase 2 metros de largura (1,974 m) e 4,7 metros de comprimento (4,660 m) equipado com um 3.9 V8 biturbo, que no Roma não ultrapassava os 1645 kg, já com condutor a bordo e o depósito (de 80 litros) cheio (1475 kg em vazio).

Capaz de atingir a mesma velocidade máxima do Roma (320 km/h) e ser mais rápido 0,1 segundos de 0-100 km/h (3,3 segundos) e 0,3 segundos de 0-200 km/h (9,0 segundos), o Amalfi anuncia uma dinâmica que mete respeito, mas sem recorrer a asas ou apêndices aerodinâmicos que possam afastar clientes mais discretos ou, se quisermos, conservadores. Ainda assim, o carro é muito baixo — oferece até a capacidade de elevar a suspensão dianteira 4 cm (até 35 km/h) para não encalhar nos acessos a garagens — e se as asas não são visíveis, a verdade é que lá estão. A asa traseira é móvel e possui três posições (carga aerodinâmica baixa, média e elevada), atingindo nesta última 110 kg a 250 km/h na posição mais desportiva, 15 kg acima do que o Roma conseguia. O Amalfi recorre ainda a travões by-wire e a uma versão mais evoluída (6.1) do Side Slip Control, mas é provável que a diferença mais apreciada pelos potenciais compradores tenha a ver com o regresso dos botões físicos, uma vez que os clientes não parecem ter gostado dos comandos tácteis do Roma.

Já é possível encomendar o Ferrari Amalfi em Portugal, mas o seu preço ainda não foi anunciado. Contudo, sabe-se que em Itália é proposto a partir de 240.000€, sendo expectável que este valor suba consideravelmente no nosso pais devido a um sistema fiscal que penaliza a cilindrada e as emissões de CO2, além de permitir a dupla tributação. Pode configurar o “seu” Amalfi aqui.