Depois da queda do voo 171 da Air India no passado dia 12 de junho na cidade indiana de Ahmedabad, as famílias das 52 vítimas mortais britânicas esperavam a transladação dos corpos de quem lhes era próximo. Porém, de acordo com o advogado de cerca de vinte famílias, alguns dos restos recebidos foram identificados erradamente como sendo dos seus familiares.
Como avançou o advogado John Healy-Pratt ao tabloide britânico Daily Mail esta terça-feira, pelo menos dois corpos dos 12 já repatriados terão sido mal identificados e entregues às pessoas erradas. “Houve uma família que acreditou que tinham acompanhado um ente querido no regresso da Índia, onde foram para fornecer amostras de ADN para a identificação. Porém, depois, foram informados de que os restos no caixão não tinham nada ver com eles”, referiu Healy-Pratt, que também falou à CBS News, contando que os corpos foram entregues à médica-legista londrina Fiona Wilcox para uma nova verificação.
A médica terá feito esse procedimento aos “dois primeiros caixões” que chegaram ao país. Wilcox, conta o representante, verificou “a autenticidade e a identidade” dos corpos, levando à descoberta de que “o ADN tinha sido misturado num dos caixões”.
Ao Daily Mail, o advogado contou que uma família não conseguiu fazer o funeral do familiar porque “era a pessoa errada no caixão”. “E se não for um parente deles, a questão é: quem está naquele caixão? Presumivelmente, é outro passageiro e os seus familiares receberam os restos mortais errados“, acrescentou Pratt-Healy, falando num “trauma psicológico duplo”.
“Uma coisa é perder um ente querido, mas depois vai-se à Índia, senta-se num hotel, dá-se o ADN, reza-se a Deus para haver uma correspondência de ADN. Depois dizem-lhe que há. Garantem-lhe que está tudo bem e certificado. Volta e dizem-lhe que há mais restos mortais no caixão além dos do seu ente querido ou que não há restos deles apesar de terem sido certificados“, contou.
As “elevadas temperaturas” a que o avião ardeu, como explicou o diretor do laboratório forense na Índia onde as amostras estão a ser analisadas, H.P. Sanghvi, citado pelo New York Times, leva a um processo “muito complexo” de identificação das 260 vítimas, já que as “altas temperaturas afetam o ADN presente em várias partes do corpo“.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros indiano respondeu à notícia dada pelo Daily Mail num comunicado publicado na rede social X, garantindo que estão a “trabalhar de perto com o Reino Unido” desde que foram informados sobre este assunto.
“Na sequência do trágico acidente, as autoridades competentes procederam à identificação das vítimas, de acordo com os protocolos e requisitos técnicos estabelecidos. Todos os restos mortais foram tratados com o máximo profissionalismo e com o devido respeito pela dignidade dos falecidos“, garantiu o porta-voz.
Our response to media queries regarding a report in the Daily Mail on the Air India crash⬇️
???? https://t.co/pTWIIMSBhi pic.twitter.com/IP9QgLNuz7— Randhir Jaiswal (@MEAIndia) July 23, 2025
Para o advogado, esta resposta “simplesmente não é suficiente“, porque não explica de forma detalhada “a cadeia de custódia dos restos mortais, desde o momento da identificação até à correspondência do ADN e à colocação nos caixões”.
Corte fatídico de 10 segundos no fornecimento de combustível ditou queda do avião da Air India
As famílias querem “garantias” das autoridades indianas, explicou Healy-Pratt, para que seja garantido que não há “mais restos de cidadãos britânicos a não serem identificados ou mal identificados na Índia”.
Só estas certezas, disse, é que dariam um “ponto final no sofrimento emocional” das famílias das vítimas, tendo pedido aos primeiros-ministros do Reino Unido e da Índia, Keir Starmer e Narendra Modi, para que abordem este assunto no encontro que terão esta semana, em Londres.
Pratt-Healy avisou ainda que as famílias vão avançar para os tribunais de forma a tentarem ter “justiça financeira” pelos danos que o acidente lhes causou. Para além de uma ação contra a Air India, há a hipótese de um processo contra a própria Boeing, visto que o relatório preliminar que indica que os interruptores de corte de combustível podem ter estado na origem da queda.
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