Barricadas, pneus queimados, pilhagens de lojas, viaturas destruídas ou danificadas, contentores do lixo a arder, cartazes de João Lourenço incendiados, autocarros apedrejados, estradas cortadas, todos os acessos ao Palácio da Cidade Alta bloqueados, centro comercial encerrado, uma morte. A violência marcou esta segunda-feira o início da greve na capital angolana dos taxistas de transportes privados, que condenaram o vandalismo e criticaram o aumento do preço dos combustíveis. O caos e a destruição foram de tal ordem que ao final da noite a Associação Nacional dos Taxistas de Angola (ANATA) anunciou a suspensão da greve, depois de considerar os atos de vandalismo praticados por “oportunistas” contra pessoas inocentes, bens públicos e privados.
“Para evitar que indivíduos estranhos à classe e aproveitadores, com fins inconfessos, continuem a perturbar a paz social”, a ANATA e demais associações e cooperativas reiteram que a paralisação antes anunciada foi cancelada.
Este era apenas o primeiro dos três dias da paralisação convocada e o Governo angolano já fez saber que vai reforçar a segurança, sendo que os estabelecimentos comerciais decidiram fechar mais cedo amanhã, terça-feira, e várias instituições e bancos anunciaram que não vão abrir portas até quarta-feira. Também o consulado português desaconselhou deslocações desnecessárias, a Macon, empresa de transporte rodoviário cancelou as suas viagens, há vários apelos nas redes sociais, inclusive de ativistas como o conhecido Gangsta, a pedir para as pessoas ficarem em casa.
Nesta segunda-feira a situação ficou controlada na maior parte das zonas de Luanda pelo meio da tarde, tendo a polícia confirmado, ao início da noite 100 detenções, como se pode ler num comunicado da Polícia Nacional de Angola (PNA). Há vídeos nas redes sociais que indicam uma morte em Luanda e outra em Benguela, mas as autoridades não as confirmam. Mateus Rodrigues, porta-voz da Polícia Nacional de Angola (PNA), refere feridos, mas não mortes. “O cidadão estatelado no chão foi socorrido, mas não podemos garantir o estado de saúde dele”, afirmou o subcomissário em conferência de imprensa. No entanto, ao Observador, um habitante confirmou ter visto uma pessoa morta no bairro do Camama.
Também Adalberto Costa Júnior, líder do maior partido da oposição, referiu “perda de vidas” num vídeo gravado a partir de Joanesburgo, onde está, e partilhado na sua página oficial do Facebook. “Estamos a receber algumas imagens de um jovem morto, por efeito de algumas destas ações, consequência da manifestação. Não se pode continuar a perder vidas quando os angolanos decidem defender o direito de se manifestar”, sublinhou o presidente da UNITA.
Ao final da noite várias páginas no Facebook da igreja Adventista do Sétimo Dia em Angola confirmavam a morte de um jovem líder da comunidade, Samuel Balanga, estudante universitário, vítima de uma bala perdida.
O Governo repudia “essas ações criminosas que atentam contra a estabilidade pública representam um ataque ao Estado democrático e de direito e ao bem-estar dos cidadãos”, salienta-se num comunicado lido na televisão nacional.
Segundo o Ministério da Administração Ingterna “são atos premeditados de sabotagem e intimidação que não serão, em hipótese alguma, tolerados, pelo que as autoridades estão a tomar todas as medidas necessárias para a manutenção da ordem e tranquilidade públicas, bem como para identificar, responsabilizar e levar à justiça os mandantes e executores desses atos deploráveis”.
No dia em que os “azuis e brancos”, ou os também chamados “candongueiros”, como são conhecidos, decidiram não circular nas estradas de Luanda e demais províncias do país, o primeiro dos três dias de “paralisação pacífica”, convocada por associações de taxistas, parou a capital angolana.
ANGOLA É DO POVO
As ruas de Luanda foram tomadas por manifestações espontâneas. Era suposto ser um dia de greve dos taxistas, mas acabou por se transformar num dia de grandes manifestações: “Abaixo a ditadura”, canta o povo nas ruas de Luanda.
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“E até lá, estou-me nas… pic.twitter.com/aghTJCffoV— César Chiyaya (@cesarchiyaya) July 28, 2025
Pessoas caminharam a pé longas distâncias e autocarros foram apedrejados
Primeiro foram as filas. Desde as primeiras horas desta segunda-feira que vários cidadãos se queixaram de dificuldades para circular e chegar ao local de trabalho, devido à falta de táxis. Muitos tiveram mesmo de caminhar longas distâncias e outros de aguardar por mais de três horas nas paragens, como constatou a Lusa.
Em toda a extensão da Avenida Fidel de Castro, estrada direita de Viana, Quilometro 30, município de Cacuaco, zona do Camama e Calemba 2 era possível ver um número considerável de pessoas nas paragens enquanto outras caminhavam devido à falta de transporte. E outros lançaram mão de outros expedientes para chegar ao trabalho como se pode ver neste vídeo partilhado no TikTok.
@radiokuiabue ???????????? SITU∆ÇÕES: Hoje, em Luanda, na Via Expressa, alguns cidadãos que não puderam utilizar os serviços de táxis devido às greves dos mesmos sentiram-se na necessidade de usar outros tipos de transportes para chegar aos seus locais de trabalho.
♬ som original – ????????????????????????????????????????????????????
Nas paragens de transportes coletivos a procura por autocarros mais do que duplicou. Paixão Mateus, há mais de três horas que esperava pelo táxi para chegar ao local de trabalho. “Eu estou há mais de três horas [aqui na paragem], por falta de táxi, não há autocarros [públicos], os que aparecem já vêm cheios e, neste momento, estou aqui indeciso, porque trabalho no Benfica e estou em risco de faltar ao serviço”, disse o carpinteiro de 37 anos à Lusa, aproveitando para contestar o aumento do preço dos combustíveis.
Quem não ficava na fila à espera de um autocarro, caminhava. Vítor Miguel, 25 anos que disse ter despertado às 5h00 para chegar cedo ao serviço, mas a paralisação dos taxistas obrigou-o a caminhar de Viana até ao Zango, lamentando os transtornos na via e a subida da tarifa do táxi.
“Já estou atrasado e será um dia muito complicado. (…) Acho que vou dormir no local de serviço e não tenho como voltar para casa”, lamentou de manhã.
Mas além das longas caminhadas e das longas filas, chegou a violência. Há imagens nas redes sociais de autocarros apedrejados, de pessoas retiradas à força dos táxis, de carros obrigados a recuar em determinadas ruas.
@noticiasematualidade24h Autocarro vandalizado Luanda manifestação #vandalização #manifestação #luanda #angola????????portugal????????brasil????????
@velosostyle ???? LUANDA ANGOLA ???????? situation d’aujourd’hui! #virale #angola #luanda #mpla #unita
Pela zona do Calemba 2, município do Camama, Distrito Urbano do Campos Universitário, toda a extensão da Rua 11 de Novembro, zona comercial e de intensa circulação automóvel, ficou bloqueada com barricadas de contentores de lixo, de árvores partidas e pneus queimados. Perto da avenida 11 de Novembro, as obras no hospital dos queimados teve de ser interrompida porque os trabalhadores não tinham como regressar a casa, por exemplo.
@etelmodavidbibleb #angola????????portugal????????brasil???????? #manifetação#rochapinto
Naquele perímetro, grupos de cidadãos e de moto taxistas impediam a circulação de viaturas, com barricadas e inclusive cenas de agressões a quem por aí circulava com a sua viatura, facto que mobilizou a presença de efetivos da polícia para colocar ordem e amenizar os ânimos, no entanto, sem sucesso.
????Luanda em estado crítico:
A greve dos taxistas nos dias 28‑30 de julho está confirmada, contrariando informações de cancelamento. Toda a cidade está praticamente sem táxis, com cenas de vandalismo, pilhagens, queimadas de pneus e confrontos. A Polícia Nacional interveio e pede… pic.twitter.com/04MyLYYeCn— ????????????????????cogitatoris (@salumc) July 28, 2025
Armazéns e supermercados pilhados, manifestantes impedidos de chegar perto do Palácio
Foi na mesma rua em que algumas viaturas foram vandalizadas e armazéns e supermercados pilhados pela população. A situação gerou um caos e até protestos de muitos transeuntes e moradores na região. A polícia ainda interveio com disparos para dispersar a população, mas o reduzido número de efetivos não conseguia travar a fúria da população.
Que os frangos que roubaram, vinhos que tiraram dos supermercados durem uma eternidade porque muitos vão perder emprego com essas ações de hoje. #luanda #Angola pic.twitter.com/siAGhXVkhj
— Ricobson (@TallAngolan) July 28, 2025
Antónia Jorge, que circulava pelo Calemba 2, condenou a vandalização de um supermercado naquela zona, que disse ter testemunhado a partir das 9h00.
“Vandalizaram, bateram nos funcionários, isso não pode, isso é roubo, é vandalização (…). A greve é dos taxistas e o que é que o povo tem a ver? O mercado não tem nada a ver, porque é que têm de roubar na loja? Isso está errado, a polícia pode fazer o que entender, mesmo com disparos não estão a fugir”, atirou.
#Angola : Les rues de la capitale angolaise, Luanda, ont été remplies de vives manifestations spontanées ce lundi 28 juillet, déclenchées par une protestation pacifique de chauffeurs ce même lundi contre un décret gouvernemental augmentant le prix des carburants, plongeant par la… pic.twitter.com/vglZkCbad5
— 5sur5Afrique (@5sur5Afri) July 28, 2025
Sem condições para chegar ao local de serviço, Nsimba Martins, 38 anos, decidiu regressar à casa a pé, mas viu condicionada a mobilidade quando atingiu a Rua 11 de Novembro e se deparou com barricadas na via. “Todas as ruas fechadas aqui no Calemba 2, consegui sair de casa, mas estou a voltar não vou conseguir chegar ao serviço porque não temos táxi. Essa via está toda fechada, acenderam pneus”, atirou.
Valéria Daniel, desempregada de 22 anos, justificou “a revolta” dos cidadãos naquela circunscrição do município do Camama como uma medida para “exigir” às autoridades para recuarem com as políticas da subida do preço dos combustíveis, que encarece a vida das famílias.
Angolan police struggled to contain anger and chaos on the streets of Luanda, as riots break out following a minibus taxi strike. pic.twitter.com/4wtw2RcKBA
— Zenaida Machado (@zenaidamz) July 28, 2025
O povo “está muito revoltado, (…) o táxi tem de baixar, porque a gasolina está a sair do nosso país. O povo está mesmo muito mal, tem pessoas que não trabalham, muitas mulheres estão a preferir fazer prostituição porque não têm emprego”, lamentou.
Algumas lojas de postos de abastecimento de combustível também foram vandalizadas, sendo que de vários pontos de Luanda surgem relatos de manifestações espontâneas, inclusive de moto taxistas, que em grupo chegaram até às imediações da sede do Governo de Luanda, mas foram travados pela polícia, na sequência de disparos.
‼️ Registos do primeiro dia de manifestações em Luanda, Angola ???????? pic.twitter.com/nBLTxEdbAt
— Moz Informa ???????? (@mozinforma) July 28, 2025
À Lusa, o taxista Joaquim Catimba, que no município de Viana, juntamente com os colegas decidiram cruzar os braços em apoio à greve, recordou que a paralisação, que deve decorrer até quarta-feira, é um protesto contra o aumento do preço dos combustíveis e nova tarifa do táxi, bem como pela exigência de mais respeito pela classe.
Fora de Angola, Isabel dos Santos já publicou um dos muitos vídeos que circulam nas redes sociais com o caos instalado em Luanda. “Hoje na capital de Angola, fortes protestos contra o governo, devido ao elevado custo de vida, desemprego e preço do combustível”, escreveu a filha do ex-presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, no Instagram.
Polícia e UNITA apelam a manifestações pacíficas
Na apresentação pública “de repúdio” destas práticas, ainda de tarde, o subcomissário Mateus Rodrigues disse que foram realizados atos de invasões a estabelecimentos comerciais e outros, que a Polícia desencoraja “vivamente”.
“Queremos desde já apelar aos cidadãos que estão envolvidos neste tipo de práticas para que parem com este comportamento”, disse, sublinhando que a Polícia está a recorrer a todos os seus meios e homens para repor a legalidade.
“Todos os homens e meios de que a Polícia dispõe estão nas ruas para garantir que voltemos à tranquilidade. Neste momento, já foram realizadas várias detenções, estes indivíduos detidos serão conduzidos aos órgãos de justiça, para que possam ser responsabilizados”, referiu.
“Mais uma vez queremos reiterar o nosso repúdio a esses atos, a nossa reprovação pública a esses atos, alertar aos cidadãos que estão envolvidos nestas práticas para que parem e assegurar os cidadãos de bem que tudo está a ser feito para que a situação volte ao normal nas próximas horas”, acrescentou.
Mateus Rodrigues enfatizou a necessidade de se separar o que está a ocorrer esta segunda-feira, que, disse, nada tem a ver com um ato pacífico.
“Uma coisa é uma paralisação, que é um ato altamente pacífico, e outra coisa são os atos que nós estamos a verificar. Estamos a verificar verdadeiros atos de vandalismo com roubos, destruição de bens públicos, então, isso não podemos dizer que isso é paralisação”, destacou, rejeitando que haja uma situação fora do controlo da Polícia.
E anunciava, ainda antes de os taxistas desconvocarem a greve que até quarta-feira, a Polícia vai elevar as medidas “sempre que o nível de ameaça assim o ditar”, frisou.
Também Adalberto Costa Júnior apelou a protestos pacíficos. Defendendo o direito à manifestação, o líder da UNITA pediu que os promotores do protesto ao “organizarem algo que é um direito, também têm uma obrigação de respeito, de fazer a manifestação dentro dos limites que a lei obriga”.
“Fazer uma manifestação dentro da ordem e seguranças públicas, respeitando o património público, o património individual. Ver uma série de assaltos a instituições, assaltos a património privado, não é típico do comportamento do cidadão comum angolano”, afirmou.
O político defendeu a necessidade de os angolanos se precaverem “de quem mal-intencionado possa aproveitar a oportunidade das manifestações para criar violência, para criar tumultos”.
“Hoje quem organiza uma manifestação deve ter também o cuidado e a responsabilidade de proteger quem participa, no sentido de não existirem infiltrações de pessoas alheias aos propósitos da manifestação, de pessoas que vêm com interesses outros, que criam violência”, sublinhou.
O presidente da UNITA realçou que as manifestações são um direito, que quando devidamente acompanhadas e protegidas “não têm nunca consequências, não tem problemas e muito menos não há perdas de vidas”.
Para Adalberto Costa Júnior, a situação é “mais grave ainda se alguém utilizou uma bala real, nomeadamente se for alguém que faça parte das forças de defesa e segurança”, que são treinadas “para agirem em circunstâncias de risco, circunstâncias de exceção”.
“A primeira circunstância de ação, de garantir ordem numa manifestação, não é o uso de armas, não é uso imediato de balas reais, não é a consequência logo de uma morte, porque as forças de defesa e segurança devem saber agir em proteção da vida e lamento profundamente se se vier a confirmar que nós tenhamos mais uma morte a lamentar, porque os angolanos usaram o direito de se manifestar”, frisou.
O político sublinhou a necessidade de “educar as forças de defesa e segurança, as instituições, que, infelizmente, de forma geral, quando não é o partido do regime que pede, limitam, (…) aparecem sempre a limitar trajetos que antes deram autorizações, isto não é comportamento normal”.
[Horas depois do crime, a polícia vai encontrar o assassino de Issam Sartawi, o dirigente palestiniano morto no átrio de um hotel de Albufeira. Mas, também vai descobrir que ele não é quem diz ser. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o segundo episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E ouça o primeiro aqui]
João Lourenço avisou que atos de vandalismo são crimes
A distinção entre um protesto pacífico e a destruição de bens públicos ou privados já tinha sido traçada por João Lourenço na semana passada, em entrevista à CNN, antes de iniciar uma visita a Portugal. O Presidente angolano, que considerou não haver razão para os manifestantes protestarem devido à subida do combustível, avisou que atos de vandalismo como queima de contentores, por exemplo, são crimes, e que a polícia atuará sem hesitações.
“O direito da manifestação está previsto na constituição e na lei, o problema é a tentativa de crime, se alguém queima viaturas na via pública, põe fogo nos contentores de lixo, isso não é manifestação, é crime. Há que separar o trigo do joio, e o Estado está lá para proteger e não reprimir, mas se nessa massa de boa fé que está revivindicar algo que acha que é um direito seu, surgirem infiltrados devem ser tratados como tal”, disse o Chefe de Estado.
Por seu turno o MPLA (partido no poder há 50 anos) condenou as manifestações através de um comunicado publicado no Instagram. “O Bureau Político exorta os jovens angolanos a não se deixarem manipular por grupos, movimentos ou indivíduos que incitem a violência e o vandalismo. Considera que é fundamental que cada jovem assuma uma postura de responsabilidade, de Paz e de civismo, contribuindo para construção de uma Angola melhor, cada vez mais forte e unida”.
E acusou o protesto de querer ensombrar as comemorações do meio século de independência de Angola. “O Bureau Político denuncia que as ações de vandalismo visam, de forma deliberada, manchar e dificultar a celebração, com júbilo, dos 50 anos da Proclamação da Independência Nacional num momento histórico de orgulho e unidade para todos os angolanos.”
O sector do comércio já tomou medidas. A Ecodima, que congrega os principais operadores formais do setor do comércio e distribuição no país, frisou que os incidentes causam “perturbações no funcionamento do setor, com impacto direto sobre a integridade das cadeias de abastecimento, a segurança dos colaboradores, e a preservação do património empresarial”.
Para assegurar a “salvaguarda de pessoas e bens”, a Ecodima anunciou, antes da desconvocação da greve, que iria encerrar temporariamente os estabelecimentos comerciais às 17h00 para “garantir a mobilidade e segurança dos colaboradores que operam no setor do comércio”.
A Ecodima recorda que o setor que representa “é um dos principais pilares da economia formal, sendo responsável por milhares de postos de trabalho diretos e indiretos, pela maior parte da arrecadação fiscal não petrolífero e pela distribuição regular de bens de primeira necessidade a nível nacional”.
“Qualquer perturbação severa ao seu normal funcionamento compromete, não apenas o bem-estar imediato da população, mas também a estabilidade fiscal, social e económica do país, assim como o normal abastecimento e reposição de ‘stocks'”, adianta.
Nesse sentido, a Ecodima apela à população a não atacar os bens privados e estabelecimentos comerciais, que destaca serem o “garante de postos de trabalho e de subsistência de milhares de famílias”, e que sendo vandalizados “compromete a continua manutenção dos postos de trabalhos” relacionados.
Vários estabelecimentos bancários e comerciais foram emitindo, ao longo do dia, alertas dando conta do encerramento de balcões e estabelecimentos até quarta-feira. O conhecido centro comercial Belas, em Talatona, zona onde vive a elite angolana, também cerrou portas.
Governo Provincial de Luanda manifesta elevada preocupação com atos de vandalismo
O Governo Provincial de Luanda (GPL) foi uma das primeiras instituições “acompanha com elevada preocupação” os atos registados esta segunda-feira de manhã, em diversos pontos da província.
De acordo com um comunicado do GPL, os acontecimentos registados foram caracterizados “por distúrbios e atos de vandalismo associados à paralisação forçada da atividade de táxi”.
Segundo o governo da província de Luanda, “as principais associações e cooperativas de táxi, que inicialmente haviam anunciado uma greve, cancelaram oficialmente a paralisação durante o fim de semana, no quadro de um esforço de diálogo com as autoridades, com vista à resolução dos pontos de reivindicação apresentados”.
“Contudo, nas últimas horas, grupos de indivíduos não identificados e sem legitimidade representativa da classe dos taxistas voltaram a convocar ações de paralisação, promovendo atos de intimidação e violência, com agressões a viaturas que circulam pela via pública – incluindo aquelas que não prestam serviço de táxi”, refere no comunicado.
@gue_fm_tv_noticias Manifestação em Luanda #angola????????portugal????????brasil???????? #gue_fm_tv_noticias #onda_informativa_gft
Estes atos “de vandalismo, agressões a trabalhadores, destruição de bens públicos e privados, assim como qualquer coação sobre cidadãos que desejam exercer livremente as suas atividades”, foram condenados “com veemência” pelo GPL.
“Reiteramos que a proteção da vida, da liberdade e da integridade física e patrimonial das pessoas constitui uma prioridade do Estado, motivo pelo qual as forças da ordem pública se encontram ativamente no terreno, com o objetivo de restabelecer a ordem e garantir a segurança de todos os cidadãos”, sublinha o GPL na sua nota.
À população de Luanda, em particular aos operadores de táxi e demais profissionais dos transportes, o GPL apelou “para que mantenham a serenidade, o civismo e a confiança nas instituições públicas, evitando a adesão a ações de caráter violento e destrutivo”.
No documento, o GPL realça que “estão em curso investigações para a identificação dos autores e instigadores destes atos criminosos, os quais deverão ser responsabilizados nos termos da lei”.
Expatriados aconselhados a evitar deslocações
Logo de manhã começou a circular por entre os expatriados uma lista de zonas a evitar mas a meio da tarde o Consulado-Geral de Portugal em Luanda alertou recomendou prudência e que se evitem deslocações desnecessárias, face aos tumultos.
“A atual situação de segurança em Luanda é objeto de monitorização e acompanhamento próximo por parte da representação diplomática de Portugal em Angola, em contacto com as competentes autoridades angolanas e com os parceiros da UE”, lê-se no comunicado publicado na página oficial do consulado.
O consulado aconselha os cidadãos portugueses a manterem “prudência e vigilância”, e sugere a adesão ao canal WhatsApp do Consulado-Geral de Portugal em Luanda.
CONSULADO GERAL DE PORTUGAL EM LUANDA
Informa: pic.twitter.com/rFgp3EfNnU— Kuiza Dizaya (@KuizaDizaya) July 28, 2025
E avisa que face aos “constrangimentos de mobilidade que se preveem para [terça-feira] 29 de julho, atendimento ao público […] se encontrará fortemente limitado” nesse dia, assegurando o “compromisso de reagendar para tão breve quanto possível todos os atos consulares que possam ser impactados por aquelas limitações”.
O aumento do preço do gasóleo
No início deste mês, o preço do gasóleo passou de 300 para 400 kwanzas por litro (0,28 para 0,37 euros), no âmbito da retirada gradual pelo Governo do subsídio aos combustíveis, iniciada em 2023, levando a um reajuste das tarifas dos transportes públicos.
Face à subida do preço do gasóleo, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) passou de 200 (0,19 euros) para 300 kwanzas (0,28 euros) o preço do serviço de táxis coletivos (transporte ocasional de passageiros) e de 150 (0,13 euros) para 200 kwanzas a tarifa do serviço de autocarros urbanos.
Os taxistas sublinham que se passaram mais de 15 dias sem o Governo “ouvir o grito de socorro dos taxistas”, por isso decidiram, “as Associações e Cooperativas de taxistas ANATA, ATA, CTMF, ATLA, CTCS, 2PN, AB-TAXI” paralisar os serviços de táxi nos dias 28,29 e 30 deste mês. Nesta segunda-feira ao final da noite, face aos tumultos verificados durante o dia, decidiram cancelar a greve nos próximos dois dias.