O primeiro-ministro vai reunir-se esta quarta-feira com o líder do PS, apurou o Observador. Os dois já se reuniram, a pedido de Luís Montenegro, no início de junho sobre os investimentos na Defesa, mas José Luís Carneiro tinha dito antes disso que iria pedir uma audiência com o primeiro-ministro, esperando que o Governo se colocasse “à disposição para o diálogo” mais generalizado com o PS.

“Vamos aguardar pela iniciativa de Governo, porque é ao Governo que compete essa iniciativa”, disse no início de julho, logo depois de ter sido eleito líder do PS e depois de uma audiência com o Presidente da República em Belém. Na altura, a intenção de Carneiro era poder iniciar o diálogo institucional em áreas de soberania, como política externa e europeia, defesa, segurança, justiça e organização do Estado.

No caso da defesa, Montenegro acabou por chamar o PS e o Chega a meio de junho, no âmbito da preparação da participação de Portugal na Cimeira da NATO, que se realizou em Haia nos dias 24 e 25 de junho, para discutir a decisão de reforço do investimento nacional nesta área. Dias antes, Carneiro tinha desafiado a AD para “um acordo estratégico” nesta área, pedindo mesmo uma audiência formal ao primeiro-ministro que não a concedeu apenas ao PS, mas também ao partido liderado por André Ventura, defendendo que pretendia debater esta matéria com “os principais partidos políticos portugueses”.

Montenegro chama PS e Chega para reuniões sobre investimento em defesa

Nas últimas semanas, o clima entre AD e PS tem estado mais tenso, sobretudo depois da viabilização de legislação relativa à imigração ao lado do Chega. Há uma semana, José Luís Carneiro, assinou um artigo no jornal Público, onde escreveu que “o ‘não é não passou à História” e que um ano depois de estar no poder, “vai sendo tempo de o primeiro-ministro assumir as suas responsabilidades pelo que está a correr mal. E há demasiadas coisas a correr mal. Com uma incapacidade do Governo em dar resposta aos problemas das pessoas.” Montenegro respondeu, dizendo que está no Governo para “resolver os problemas das pessoas” e não para se distrair com “o que os outros andam a dizer”.

No PS, Carneiro tem sido pressionado a afastar-se da AD, numa altura em que identifica aproximações entre a coligação de direita e o Chega. No debate do Estado da Nação, Carneiro pediu mesmo explicações a Luís Montenegro sobre “um princípio de acordo” com o Chega, que André Ventura tinha anunciado depois de uma reunião com Montenegro — um acordo foi confirmado pelo ministro dos Assuntos Parlamentares, depois de o primeiro-ministro ter dito que não existia, mas apenas para a questões da imigração e do IRS, e não um acordo mais extenso de governação.

Antes desse debate, Carneiro já tinha pedido clareza a Montenegro na mesma matéria e tinha mostrado indisponibilidade para partilhar o espaço de consensos com o Chega. Para Carneiro, “nunca o PS pode ser colocado ao nível de um partido que atenta contra os valores democráticos. E se o primeiro-ministro não é capaz de distinguir essa representação política e social, então não está habilitado para definir e defender o interesse nacional”, afirmou à saída de uma reunião da Comissão Política Nacional do PS.

Carneiro pressionado no PS a afastar-se da AD e empurra batata para Montenegro

[Horas depois do crime, a polícia vai encontrar o assassino de Issam Sartawi, o dirigente palestiniano morto no átrio de um hotel de Albufeira. Mas, também vai descobrir que ele não é quem diz ser. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o segundo episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E ouça o primeiro aqui]