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A Rússia rejeitou esta quarta-feira as acusações da Presidente moldava, Maia Sandu, de que Moscovo está a preparar uma “interferência sem precedentes” nas eleições legislativas de 28 de setembro na Moldávia.

“Isso não corresponde à realidade, a Rússia não interfere nos assuntos internos de outros países”, afirmou o porta-voz do Kremlin (presidência russa), Dmitri Peskov, na habitual conferência de imprensa telefónica diária, quando questionado sobre as declarações da líder moldava.

Peskov contrapôs e acusou as autoridades da Moldávia de violarem os direitos eleitorais dos cidadãos moldavos que vivem fora do país.

“Lamentamos ver que os direitos eleitorais de muitos moldavos estão a ser restringidos e violados. Digam o que disserem de Chisinau, do nosso ponto de vista, é claro que os direitos dos moldavos que vivem noutros países, incluindo no território da Federação Russa, devem ser garantidos“, sublinhou Peskov.

Maia Sandu, que defende a adesão à União Europeia (UE) para reduzir a influência russa sobre o país, estimou que o dinheiro de Moscovo para “financiar a corrupção eleitoral” ascende a “cerca de 100 milhões de euros”.

Por esta razão, a chefe de Estado convocou para esta quarta-feira, com urgência, o Conselho de Segurança da Moldávia para discutir medidas de resposta à interferência eleitoral estrangeira.

“Esta informação é de grande importância para a segurança nacional e para a democracia. A ameaça à ordem pública e à segurança nacional é enorme e todas as instituições públicas, bem como a sociedade, devem compreender este perigo e unir-se em defesa”, explicou a Presidente.

Sandu já tinha acusado previamente a Rússia de estar a executar uma “guerra híbrida” contra o país que antigamente pertencia à União Soviética, acusando Moscovo de realizar ataques informáticos e campanhas de desinformação.

A Moldávia apresentou a candidatura à UE em março de 2022 e em junho desse ano foi atribuído o estatuto de país candidato. Em junho de 2024 foram iniciadas as negociações formais, que contemplam vários capítulos de conclusão obrigatória.

Com cerca de 2,5 milhões de habitantes, a Moldávia situa-se entre a Roménia e a Ucrânia. A região separatista moldava da Transnístria ganhou destaque após o início da guerra na Ucrânia (em fevereiro de 2022) devido aos laços com a Rússia e à sua importante posição geoestratégica.

A Rússia mantém um contingente de 1.500 soldados na Transnístria, cujos separatistas pró-Moscovo controlam o território desde a guerra civil na Moldávia, em 1992.