Foi uma conferência de imprensa inusitada. Sentado num banco de jardim na ilha de Valaam, na Rússia, o Presidente Vladimir Putin, prestou declarações à imprensa, ao lado de Alexander Lukashenko, o homólogo da Bielorrússia. Citado pela agência RIA, o chefe de Estado russo falou sobre mísseis, fez várias críticas à Ucrânia e à União Europeia e aproveitou para responder ao facto de Donald Trump estar “desiludido”.

“Qualquer desilusão sentida por alguém, toda a desilusão, vem de expectativas elevadas. É uma regra de senso comum”, assinalou Vladimir Putin. Para o líder russo, acabar com a guerra na Ucrânia exige “discussões sérias” — e não “em público”, mas “calmamente”, algo que exige um “processo negocial”.

Vladimir Putin adiantou também que Moscovo lançou a produção em massa do Oreshnik, um míssil hipersónico de última geração que pode transportar uma ogiva nuclear. O Chefe de Estado russo reiterou que Moscovo poderá em breve instalar estes mísseis na Bielorrússia. “Os nossos especialistas — especialistas militares bielorrussos e russos — escolheram o local para as futuras posições. Os trabalhos de preparação dessas posições estão agora em curso.”

Em relação à Ucrânia, Vlaidmir Putin criticou a “falta de soberania”: “É humilhante”. Para o líder russo, Kiev está completamente dependente da ajuda externa europeia e norte-americana.

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Sobre corrupção, Vladimir Putin frisou que é “característica de quase todos os países”: “A questão é se a sociedade está pronta para combatê-la”. O Presidente russo acusou a Ucrânia ser um país com corrupção “galopante”, indicando que as agências anticorrupção ucranianas — que estiveram na origem de vários protestos contra a presidência — nunca foram eficazes.

As críticas não se ficaram apenas pela Ucrânia. Outro dos alvos foi a União Europeia (UE). O líder russo esclareceu que a “soberania desempenha um papel fundamental no mundo moderno, inclusive para o desenvolvimento económico”, lamentando que a União Europeia “não tenha isso hoje”. E relacionou a “perda de soberania política” com a “perda de independência económica”. “Está claro que hoje a União Europeia não tem tanta soberania. Tornou-se óbvio que isso não existe.”

Militarmente, o Presidente da Rússia confirmou que a cidade de Chasiv Yar, na província de Donestsk, foi controlada pelas tropas do país. “Foi libertada há alguns dias, não ontem”, especificou Vladimir Putin, confirmando, no entanto, que a Ucrânia está a “tentar contra-atacar” na região.

A Ucrânia nega que a Rússia tenha controlado Chasiv Yar, mas Vladimir Putin respondeu à “liderança ucraniana”: “Está mal informada sobre a situação”. O chefe de Estado russo enfatizou que as “tropas russas estão a avançar ao longo de toda a linha da frente”.

Lukashenko manda recado a Trump

Na mesma conferência de imprensa, o Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, atirou-se ao seu homólogo norte-americano, Donald Trump: “Se quer a paz, deve envolver-se no processo de paz e não deve ditá-la”.

O líder bielorrusso disse que a Ucrânia de “querer o impossível”. “Para que a Ucrânia tenha uma reunião com Putin, precisa primeiro de preparar terreno”, avisou. “Ninguém conseguirá colocar Minsk e Moscovo de joelhos. Estamos determinados a defender os nossos interesses”, assegurou Alexander Lukashenko.

Sobre a guerra, o Presidente bielorrusso reiterou que a Rússia “está a avançar” na linha da frente. Alexander Lukashenko recordou que perguntou a Vladimir Putin o motivo pelo qual não avança mais rápido no campo de batalha. “Sinto pena das pessoas” foi a resposta do líder russo, segundo o Presidente bielorrusso: “Devagar, mas com confiança”.

Sobre o Ocidente, o Presidente da Bielorrússia repetiu as críticas do seu homólogo russo. “Os norte-americanos têm interesse em enfraquecer a UE como centro de poder”, alertou Alexander Lukashenko.