Centenas de turistas e montanhistas foram retirados esta semana dos percursos pedestres das encostas de Cima Falkner, na região das Dolomitas de Brenta, no Norte de Itália, na sequência de dois deslizamentos de rochas que aconteceram no domingo e na segunda-feira, derivado ao degelo. Não há registo de feridos.

Os especialistas já tinham alertado para o aumento do deslizamento de terras na sequência do degelo do permafrost — área congelada composta por solo, rochas e sedimentos amalgamados num único bloco de gelo — afirmando que toda área montanhosa está a passar por um processo de erosão relacionado com o agravamento das alterações climáticas.

“Todas as rotas de escalada e trilhas diretamente afetadas pela área foram encerradas” e os montanhistas que lá se encontravam retirados, escrevem as autoridades da região de Trentino-Alto Ádige, num comunicado, apelando à população que tenha cuidado e que siga as normas de segurança.

No domingo, os visitantes já tinham alertado para a queda de rochas e para as nuvens de poeira que estavam no Monte Pelmo, no Val di Zoldo. Uma inspeção técnica realizada na terça-feira confirmou que “todo o cume está afetado por um processo geomorfológico em andamento, provavelmente ligado à degradação do permafrost”. Nas redes sociais foram publicados vídeos do deslizamento, no qual as montanhas são descritas como “incrivelmente frágeis”.

O permafrost funciona como uma “cola” que mantém as rochas unidas, porém com o aumento das temperaturas ela vai desaparecendo e faz com que as rochas se desprendam umas das outras, explica o presidente do comité científico do Clube Alpino Italiano, ao jornal la Repubblica. “As montanhas, por definição, estão destinadas a entrar em colapso – elas não permanecerão como as conhecemos para sempre”, afirmou.

A queda de rochas é frequente nesta zona no Norte de Itália, contudo o cenário tem-se agravado em toda a cordilheira dos Alpes, avisa o presidente. “Os deslizamentos de terra estão a aumentar e a principal causa é a crise climática. Não há dúvida sobre isso”.

Em 2022, uma avalanche de neve, gelo e rochas na Montanha Marmolada, custou a vida a 11 pessoas. Um relatório do ano passado relata que “A Rainha das Dolomitas” perde entre 7 a 10 centímetros de profundidade por dia e que pode derreter completamente até 2040.

[Horas depois do crime, a polícia vai encontrar o assassino de Issam Sartawi, o dirigente palestiniano morto no átrio de um hotel de Albufeira. Mas, também vai descobrir que ele não é quem diz ser. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o segundo episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E ouça o primeiro aqui]

Texto editado por Dulce Neto