A defesa do título começou da melhor forma possível. Pela sexta edição consecutiva, o Sporting entrou no Campeonato seguinte à conquista do título a vencer, sendo que o último desaire nesta condição aconteceu há 45 anos. Em Rio Maior, os leões dominaram o Casa Pia longe do nível da época passada e resolveram a partida em 20 minutos, ainda que só tenham encontrado o caminho do golo na reta final da primeira parte. Francisco Trincão foi a figura do desafio, com um golo e uma assistência, algo que fez pela segunda vez nas últimas três partidas oficiais, tendo ficado em branco apenas na Supertaça, diante do Benfica.

Enquanto o Luis desespera por trabalhar, Francisco é o novo protagonista que luta pela conquista (a crónica do Casa Pia-Sporting)

O jogo ficou ainda marcado pela estreia a titular de Luis Suárez que, apesar de ter tentado em diversas ocasiões, terminou o jogo sem qualquer golo anotado. O avançado é o quinto colombiano a vestir a camisola leonina, depois de Fredy Montero, Cristián Borja, Teofilo Gutiérrez e Santiago Arias. Quem também se estreou foi Ricardo Mangas que, um ano depois, voltou a disputar uma partida da Primeira Liga. Curiosamente, a última também tinha sido com Rui Borges, mas no V. Guimarães. Pote cumpriu o jogo 200 pelos leões, chegando à 50.ª assistência, com 82 golos. Já o capitão Hjulmand regressou aos golos depois de sete meses de jejum.

Em termos coletivos, o Sporting aumentou para três as temporadas consecutivas a vencer o jogo de estreia na Primeira Liga e, cinco anos depois, começou o Campeonato com uma vitória fora de casa sem sofrer golos, repetindo o resultado de 2020, frente ao Paços de Ferreira (0-2). O jogo de Rio Maior terminou com os verde e brancos a efetuarem 27 remates, batendo o melhor registo com Rui Borges, na Primeira Liga. Desde a nona jornada da época passada, em Vila Nova de Famalicão, que o bicampeão não fazia tantos remates (33, na altura). O técnico de 44 anos continua sem conhecer o sabor da derrota ao serviço do Sporting na principal prova nacional, levando agora 20 jornadas seguidas a ganhar (14) ou a empatar (seis).

“Foi uma grande exibição, principalmente na primeira parte, onde fomos muitos fortes. A equipa percebeu o que tinha de fazer. A primeira parte que peca por escasso. Tivemos uma dinâmica absurda. Foi dos melhores jogos, senão o melhor. Podíamos ter feito mais golos na primeira parte. O Casa Pia não criou praticamente nada. Na segunda o jogo quebrou a partir das lesões. Podia haver essa quebra, mas tínhamos que manter a concentração. A equipa manteve-se coesa. Chegámos ao 2-0 e podíamos ter feito mais. Nem se contesta o resultado. A dinâmica está lá. Eles percebem claramente o que queremos e estão a ligar-se cada vez mais. Temos de tentar ser melhores do que temos sido e tentar acrescentar coisas. Vai ser cada vez mais difícil. Vimos de dois anos a ganhar e com muitas vitórias. Temos de nos reinventar um pouco, acrescentar mais coisas ao nosso jogo, não abdicando do passado”, começou por dizer o treinador à SportTV.

“Suárez? Fez um belíssimo jogo. Trabalhou e jogou para a equipa. Esteve fantástico. Tenho pena que não tenha conseguido fazer o golo. Mereceu, procurou e assistiu. Fez um belíssimo jogo, à imagem da equipa. Pote, Trincão, Maxi, a linha defensiva, Morten e Morita… toda a gente. O coletivo foi o que mais sobressaiu. Claro que, no individual, vai sobressair alguém, porque são os melhores. Mangas? Conheço-o muito bem. Cresceu e apareceu comigo e eu cresci e apareci com ele também. Ele também me ajudou, treinei-o no primeiro ano no Mirandela. Sei bem o que pode dar, o homem que é e o sportinguista que é. Está supermotivado e, dentro das qualidades individuais dele, vai acrescentar coisas à equipa. Entrou muito bem. É muito dinâmico e um jogador de corredor. Vai dar-nos essa verticalidade e velocidade. Foi isso que fez e muito bem”, concluiu.

Já Trincão, que foi eleito o melhor em campo, disse que a equipa esteve “muito bem” e assumiu que quer “muito ser campeão novamente, para estar de novo no Marquês”. “Suárez? Já estive a falar com ele e disse-lhe que o senti muito bem. Não fez golo, mas criou muitas oportunidades. Certamente fará muitos golos, assim como o Harder. O Mangas também entrou muito bem, estamos a trabalhar com tudo. Estas novas dinâmicas são ótimas. É continuar. Novo estilo de jogo? As dinâmicas são semelhantes. É uma questão de mentalidade. Cada um deve fazer a sua parte. Acabámos por criar muitas oportunidades”, partilhou o internacional português.

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