O antigo ministro do PSD e homem forte do aparelho social democrata sugere a André Ventura negociar com Rui Moreira um apoio como candidato a Presidente da República. Em entrevista ao Observador, Miguel Relvas diz que as presidenciais de 2026 podem ser “o primeiro grande imbróglio” para o presidente do Chega.

André Ventura deu conta esta semana que quer apresentar um candidato presidencial até 15 de setembro, tendo já pedido a convocação de um Conselho Nacional do Chega e, para Miguel Relvas, o líder do partido só tem dois caminhos: desvalorizar as eleições — sugerindo uma estratégia semelhante às europeias –, ou apoiar Rui Moreira, que não rejeitou o apoio dos eleitores do partido de André Ventura.

Para Miguel Relvas, André Ventura “faz lembrar os artistas de circo que vendem bilhetes, entram no palco com os leões e ao intervalo ainda apresentam uma peça no trapézio”, sugerindo que o presidente do Chega não pode continuar a desdobrar-se como candidato para as várias eleições que vão surgindo e que “avançar para umas presidenciais seria um erro político tremendo”.

Por isso, Relvas sugere a Ventura “aproveitar a disponibilidade de Rui Moreira em não rejeitar o apoio do Chega” e “colocar em cima da mesa os termos em que esse apoio deveria ser assumido por ambas as partes”, aproveitando ainda para “recentrar o partido”. A outra alternativa, defende, é “adotar o modelo das europeias, com um candidato menos mau” para “desvalorizar as presidenciais e colocar todas as suas forças” na tentativa de levar o Chega a liderar um Governo.

Esta indefinição do Chega quanto à forma como deve abordar as eleições presidenciais é, para Miguel Relvas, o “primeiro grande imbróglio”, sobretudo se decidir avançar e não conseguir passar a uma segunda volta.

Rui Moreira está em período de reflexão sobre se avança para uma candidatura presidencial mas, nas primeiras declarações sobre o tema, não rejeitou o apoio dos eleitores do Chega, ao contrário do que fez, por exemplo, Henrique Gouveia e Melo.

Cotrim Figueiredo “inteligente”

Já quanto à decisão de João Cotrim Figueiredo, anunciada esta quarta-feira, o antigo ministro dos Assuntos Parlamentares de Passos Coelho diz que é “uma decisão inteligente” tendo em conta que “sendo deputado europeu não tem nada a perder politicamente” e por isso “aproveita para marcar posição”.

Ainda assim, Miguel Relvas desvaloriza as possibilidades do antigo presidente da Iniciativa Liberal. “Não podemos esquecer que da última vez que foi a eleições teve 380 mil votos o que não é nada do outro mundo”, frisa Miguel Relvas, secando as possibilidades do candidato liberal.

Numa leitura mais abrangente, Miguel Relvas acredita que tanto a esquerda como a direita não têm os principais candidatos em jogo nestas eleições presidenciais de 2026.

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