Gouveia e Melo mostra-se “incrédulo e chocado com a postura de alguns responsáveis políticos” que acusa de estarem “alheios ao terror vivido pelas populações”, mantendo “as suas agendas, “numa bolha de cinismo frio perante o sofrimento”.
Numa publicação feita hoje no Facebook, horas depois de Luís Montenegro ter marcado presença no habitual discurso do Pontal no Algarve, o candidato presidencial destaca que “há quem brinde às férias e tire fotografias sorridentes em eventos políticos de verão”, defendendo que um “verdadeiro líder, mesmo sem poder fazer mais, está a frente com o seu povo”.
“Se não conseguem prevenir nem remediar, espera-se, no mínimo, que estejam presentes, ao lado do povo, no seu sofrimento”.
Durante o discurso, o primeiro-ministro garantiu que o Governo estava a acompanhar a situação dos incêndios “de forma discreta” e defendeu que não é a meio da guerra que vamos fazer a discussão. Vamos primeiro a ganhar guerra”.
Numa intervenção em que prometeu penas mais pesadas para os incendiários, Luís Montenegro reconheceu, ainda assim, que o Pontal “é uma festa”, apesar de garantir também “que estamos a fazer isto ao mesmo tempo que estamos a fazer tudo para ajudar todos aqueles que estão a sofrer”.
Gouveia e Melo não aceita argumentos “de que não se pode falar agora dos incêndios porque é aproveitamento político” porque “só depois do combate se pode discutir”, o que que considera serem “meros pretextos para ganhar tempo e tentar diminuir as responsabilidades.” E lembra que “ano após ano, a memória apaga-se e a prevenção, o planeamento e os investimentos estruturais ficam fora da agenda” para concluir que “se isto é política, tenho muita sorte em não ter passado por ela”.