As empresas “extrovertidas”, aquelas que têm maior integração com os mercados internacionais, ainda são minoritárias mas têm uma importância crescente na economia portuguesa – são mais produtivas e pagam salários e prémios melhores, revela um estudo do organismo público Planapp, feito em colaboração com a Universidade do Minho. De acordo com este estudo, quatro em cada cinco euros (81%) do volume de negócios gerado em toda a economia envolve estas empresas.
O estudo, divulgado nesta quinta-feira pelo Centro de Planeamento e de Avaliação de Políticas Públicas (Planapp), intitula-se “As empresas no comércio internacional: análise da produtividade entre 2010 e 2021” e está integrado num conjunto de trabalhos sobre produtividade feitos por este organismo do Estado que apoia a definição e implementação de políticas públicas. Uma das principais conclusões é que as designadas “empresas extrovertidas”, definidas como as participantes no comércio internacional e/ou como empresas com propriedade estrangeira do capital, já se tornaram o principal motor da atividade económica em Portugal.
Estas empresas têm “uma prevalência minoritária, mas crescente no tecido empresarial português, representando 36% das empresas totais no período analisado”, entre 2010 e 2021, diz o estudo, acrescentando que estas são responsáveis por “64% do emprego e 81% do volume de negócios totais gerados no mesmo período” – ou seja, os tais quatro em cada cinco euros gerados, aproximadamente.
Estudo distingue as empresas apenas viradas para o mercado doméstico (autarcia) das empresas nacionais viradas para o comércio internacional e, também, as estrangeiras.
Quando se fala em “empresas extrovertidas” em Portugal, esclarece o estudo, está a falar-se, sobretudo, de empresas importadoras que trocam essencialmente bens e transacionam maioritariamente nos mercados da União Europeia (UE). Porém, os autores salientam que “são as empresas que realizam comércio bilateral, que comercializam bens e serviços simultaneamente e que operam em mercados múltiplos da UE e extra-UE aquelas que concentram a principal “fatia” da criação de valor na economia e no comércio internacional.
O crescimento significativo do comércio internacional de serviços sugere transações internacionais de maior valor acrescentado e uma maior participação nas cadeias de valor globais das empresas portuguesas”, refere o estudo.
Estas empresas mais viradas para o exterior são, “em geral, de maior dimensão, mais intensivas em capital, mais produtivas, realizam mais investigação e desenvolvimento (I&D), possuem uma mão de obra mais escolarizada e mais bem remunerada e têm maior capacidade de inovação”, refere o estudo.
Sobre a produtividade destas empresas, em comparação com as demais, a conclusão dos autores do estudo é que a integração no mercado internacional é um “fator determinante” para o quão produtivas as organizações conseguem ser. “Independentemente da forma de mensuração ou da importância da intensidade de exportação ou importação das empresas, as trocas internacionais aparecem sempre associadas a prémios de produtividade estatisticamente significativos“, refere o trabalho.
“Os prémios de produtividade são nitidamente superiores nas empresas estrangeiras envolvidas no comércio bilateral ou unilateral” mas, também, nota-se uma “superioridade da produtividade das empresas domésticas envolvidas no comércio bilateral face às empresas que realizam apenas comércio unilateral”, conclui o estudo.
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