O primeiro-ministro francês, François Bayrou, anunciou esta segunda-feira que vai apresentar uma moção de confiança, que irá ser votada numa sessão extraordinária da Assembleia Nacional francesa no próximo dia 8 de setembro. Caso as declarações de rejeição da extrema-direita e do bloco da esquerda sejam cumpridas na hora de votar, o governo francês pode mesmo cair.

Bayrou fez o anúncio numa conferência de imprensa em que respondia às críticas ao projeto de orçamento do Estado francês para 2026, que inclui cortes que podem chegar aos 44 mil milhões de euros segundo o FranceInfo.

“O nosso país está em perigo porque estamos à beira do excesso de endividamento”, avisou o primeiro-ministro, sublinhando que este voto reside numa “questão central“: o “controlo das finanças públicas”.

E Bayrou já sabe com o que vai contar. A União Nacional — partido de extrema-direita de Marine Le Pen — e os aliados conservadores da União das Direitas pela República, de Eric Ciotti, já anunciaram que iriam votar contra.

“Somente a dissolução permitirá ao povo francês escolher o seu destino, o da recuperação com a União Nacional”, disse Le Pen na rede social X, onde afirmou também que o seu partido “obviamente” iria votar contra.

“François Bayrou claramente não compreendeu que os franceses estão plenamente conscientes da crise económica e financeira em que o nosso país se encontra após oito anos de macronismo [termo dado ao partido e aliados do Presidente francês], crise que se soma a tantos outros fracassos que colocam em risco a própria sobrevivência da nossa nação“, escreveu ainda.

Éric Ciotti disse que era, “naturalmente, impensável confiar num governo e numa maioria macronista que, durante tantos anos, conduziram a França à falência”.

Já à esquerda, a maioria dos partidos anunciou igualmente o voto contra, nomeadamente a França Insubmissa — de Jean-Luc Mélenchon –, o Partido Comunista Francês e os Ecologistas.

Manuel Bompard, líder parlamentar da França Insubmissa, escreveu na rede social X que “os parlamentares insubmissos votarão no dia 8 de setembro para derrubar o governo“.

Já a líder ecologista, Marine Tondelier, disse que o seu partido não confia neste primeiro-ministro, “que defende um projeto irresponsável tanto do ponto de vista social como ambiental“.

A maior dúvida residia no Partido Socialista (PS) francês, que tem vindo a abster-se nos últimos votos sobre a sobrevivência do executivo liderado por François Bayrou e garantindo, assim, a sua continuidade.

No entanto, numa entrevista ao jornal Le Monde publicada ainda esta segunda-feira, o líder do partido, Olivier Faure, abriu o jogo e disse que era “obviamente inimaginável que os socialistas votem a favor do primeiro-ministro“.

“François Bayrou decidiu sair. Nas condições atuais da maioria, ele sabe que não pode obter um voto de confiança da oposição. É uma autodissolução“, acrescentou Faure.

Ainda não há resposta dos grupos da base parlamentar do governo — Juntos pela República, Horizontes, Democratas e da Direita Republicana — mas espera-se um voto a favor.

Contando que estes votarão a favor da moção e que todos deputados das forças cujos líderes anunciaram a rejeição da moção cumprirão com a linha partidária, os cálculos preveem a queda do executivo de François Bayrou.

Juntos, o bloco da rejeição conta com 330 votos contra — mais do que é preciso para uma maioria (289 votos) para derrubar o governo.

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