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O Presidente do Irão, Masud Pezeshkian, denunciou esta segunda-feira, na cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês) “a continuação do massacre em Gaza”.
Durante a sua intervenção, o líder iraniano classificou como ilegal a agressão militar contra o seu país por Israel e Estados Unidos.
Pezeshkian defendeu que a SCO deve “dar passos operacionais, específicos e claros para criar um mundo mais pacífico e um sistema mais preparado para a cooperação económica”, segundo a agência estatal iraniana IRNA.
O chefe do Governo iraniano propôs a criação de um comité de ministros dos Negócios Estrangeiros para elaborar “propostas práticas de gestão de crises” e reagir “de imediato” perante ameaças à soberania de um Estado membro.
“Esse mecanismo deve tornar-se num braço operacional da organização”, sublinhou.
Pezeshkian sugeriu também o estabelecimento de “contas e sistemas de liquidação especiais da SCO” para reforçar a cooperação financeira entre os membros e reduzir a dependência do dólar norte-americano.
“Estamos convencidos de que aplicar esta iniciativa não só aumentará a resiliência económica dos membros, como tornará a SCO num modelo bem-sucedido de ordem financeira multipolar, justa e resistente à pressão externa”, afirmou.
O líder iraniano, que chegou no domingo à China, apoiou ainda a criação de centros especializados para fazer frente a ameaças de segurança, de um centro contra o tráfico de drogas e de mecanismos de resposta rápida.
Pezeshkian reiterou também a disposição do Irão para aproveitar a sua posição geopolítica como ponte para a cooperação regional.
Os órgãos de comunicação dos países membros da SCO foram os únicos autorizados a assistir presencialmente à reunião desta segunda-feira, tendo os restantes jornalistas colocados numa sala noutro edifício, onde o discurso do Presidente chinês, Xi Jinping, foi transmitido apenas em áudio.
Além de Xi, participam na cimeira o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, entre outros líderes, estando previsto que os líderes definam uma estratégia de desenvolvimento do bloco, num contexto de crescentes tensões com os Estados Unidos.
A jornada desta segunda-feira é centrada na reunião de líderes dos Estados membros, mas inclui também um encontro alargado com dirigentes de organismos internacionais e outros países convidados.
Segundo a diplomacia chinesa, deverão ser assinados vários acordos em matéria de segurança, economia e cultura, naquela que Pequim considera a cimeira “de maior envergadura” desde a fundação da SCO.
Fazer parte da SCO é uma “escolha estratégica” para a Bielorrússia, segundo o Presidente Lukashenko
O Presidente bielorrusso, Aleksandr Lukashenko, disse esta segunda-feira que fazer parte da Organização de Cooperação de Xangai é uma “escolha estratégica” para o país, ao intervir na 25ª cimeira do bloco.
“A Bielorrússia orgulha-se de se ter tornado membro de pleno direito da SCO há um ano. Isto está em consonância com os nossos interesses fundamentais a longo prazo e abre oportunidades adicionais e amplas áreas de cooperação”, afirmou o líder, na reunião dos líderes dos países membros da OCS, no nordeste da China.
De acordo com a agência estatal bielorrussa Belta, Lukashenko destacou que a SCO “é justamente considerada uma das organizações internacionais mais representativas e influentes da Eurásia” e afirmou que “é natural que novos Estados procurem aderir à organização”.
A Bielorrússia “apoia a expansão da SCO com novos membros e parceiros, aqueles que partilham incondicionalmente os valores e fundamentos do ‘espírito de Xangai’: respeito e confiança mútua, igualdade, diálogo e um compromisso com o desenvolvimento comum”, referiu
Lukashenko interveio na reunião após ter mantido no domingo um encontro bilateral com o Presidente chinês, Xi Jinping.
Nessa reunião, Lukashenko afirmou que a Bielorrússia “é um parceiro firme e um amigo sempre fiável para a China” e sustentou que “nenhuma força pode deter o desenvolvimento e a revitalização” do país asiático.
O líder bielorrusso assegurou que Pequim “mantém uma posição imparcial nas questões internacionais e regionais” e “dá importantes contribuições para a paz e a estabilidade no mundo”.
Cada vez mais isolado da Europa e do resto do Ocidente devido à sua deriva autoritária, o Governo de Lukashenko aproximou-se de aliados como a China e a Rússia.
A viagem de Lukashenko ocorre num contexto de negociações para o fim do conflito na Ucrânia, uma guerra na qual Minsk foi acusada por Kiev de ser cúmplice de Moscovo e em relação à qual Pequim tem mantido uma posição ambígua.
O Presidente bielorrusso assistirá, na quarta-feira, em Pequim, ao desfile pelo 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico, no qual a China exibirá o seu poderio militar.
A SCO, fundada em 2001, é composta por China, Rússia, Índia, Paquistão, Irão, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão, e abrange aproximadamente 40% da população mundial.
O grupo não possui cláusulas de defesa mútua, ao contrário da NATO, e apresenta-se como um fórum para a cooperação política, económica e de segurança.