“Lisboa Dia 1: Igrejas e castelos, azulejos e elétricos”. A acompanhar esta legenda, surgem 19 fotografias de locais icónicos da cidade de Lisboa, desde o Castelo de São Jorge ao Mosteiro de São Vicente de Fora. Entre as paisagens surge uma imagem do casal Kayleigh Smith, de 36 anos, e William Nelson, de 44, duas das 16 vítimas mortais do acidente de quarta-feira no Elevador da Glória.
As identidades das duas vítimas foram reveladas este sábado pela imprensa britânica, que recordam que há ainda outro morto proveniente do Reino Unido, de 82 anos, cujo nome ainda não foi possível apurar.
O casal Kayleigh e William, que horas antes da tragédia tinha partilhado uma ‘selfie’ dentro de um elétrico a passar o miradouro das Portas do Sol, era de Cheshire, no noroeste de Inglaterra, e estava de férias em Portugal.
Profissionalmente, ambos dedicavam a vida ao teatro: Kayleigh era diretora de um teatro e William era professor — ensinava na Arden School of Theatre, onde Kayleigh se tinha formado recentemente. Um teatro em Macclesfield, onde trabalhava a mulher britânica, publicou uma nota de pesar e recordou um “membro valioso da nossa sociedade” “Kayleigh era um membro valioso da nossa sociedade e fez contribuições consideráveis tanto para o MADS como para o drama no noroeste. É, de facto, uma triste perda para todos nós no teatro”.
“Kayleigh foi uma diretora premiada e uma atriz nomeada a prémios. Ela desempenhou vários papéis de liderança no MADS. Foi vice-presidente, secretária de associados, e chefe de tecnologia. Mas acima de tudo ela foi uma amiga querida para muitos e deixará muitas saudades”.
Segundo o The Sun, Will, que chegou a ser professor na Universidade de Cumbria, só tinha chegado a Lisboa no dia anterior ao acidente.
Com eco em todo o mundo, também o primeiro-ministro britânico reagiu ao sucedido, lamentando, especialmente, as três vítimas mortais britânicas: “Os seus pensamentos estão com as famílias das vítimas e todos os afetados pelo terrível acidente. Estamos unidos a Portugal neste momento complicado”, disse um porta-voz de Keir Starmer, citado pela BBC.
A polícia de Cheshire enviou um comunicado a avançar que apesar de ainda não ter sido realizada a identificação formal do casal britânico, as autoridades já estão a prestar apoio aos familiares. “Podemos confirmar que duas das pessoas que morreram no acidente do ascensor em Lisboa serão residentes do noroeste”, informaram, citados pelo Independent.
“Enquanto não é realizada a identificação formal, as famílias das duas vítimas, um homem de 44 anos e uma mulher de 36, foram notificados e estão a ser apoiados por autoridades nesta altura. As famílias pediram que a sua privacidade seja respeitada”.
As causas do acidente que fez 16 vítimas mortais e mais de 20 feridos ainda não foram apuradas. Este sábado será revelado um relatório com as primeiras conclusões da investigação realizada pelo Gabinete de Prevenção e Investigaação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários – GPIAAF. O documento deveria ter sido partilhado na sexta-feira, mas devido aos atrasos provocados pela remoção dos destroços, tal não foi possível.
Além dos três britânicos, estão entre as vítimas cinco portugueses, dois sul-coreanos, um suíço, dois canadianos, um ucraniano, um norte-americano e um francês.