A Fitch vai esta sexta-feira anunciar a sua avaliação do rating de Portugal, que está neste momento próximo dos níveis mais elevados na classificação das principais agências, com os analistas divididos sobre o sentido da avaliação.
A classificação da dívida soberana portuguesa esteve vários anos entre os níveis mais baixos, após a crise que retirou a confiança dos investidores e mercados.
Nos últimos anos, os governos de António Costa e depois de Luís Montenegro têm estabelecido como objetivo a redução da dívida pública e saldos orçamentais positivos ou o mais próximo disso possível, o que melhorou a imagem de Portugal perante os investidores.
O rating de Portugal tem acompanhado esta mudança na gestão das contas públicas e agora a DBRS avalia a dívida soberana em A (elevado) e a Moody’s em A3, enquanto a Fitch tem atualmente a classificação de A-.
Já a S&P foi a última agência a avaliar o rating, a 29 de agosto, e melhorou a classificação de A para A+, apenas seis meses após outra subida.
“A probabilidade de a Fitch rever em alta o rating de Portugal já esta sexta-feira é elevada. A agência mantém atualmente a notação em A- com perspetiva positiva, o que significa que reconhece fundamentos sólidos e já deixou aberta a porta a uma subida”, destacou Paulo Monteiro Rosa, economista sénior do Banco Carregosa, em resposta à Lusa.
No entanto, referiu, “não é impossível que a Fitch opte por aguardar mais alguns meses, confirmando primeiro a execução orçamental de 2025 e a aprovação do orçamento para 2026″.
Por sua vez, Vítor Madeira, da XTB, acredita que “o mais provável será a Fitch manter o rating soberano de Portugal em A-, com outlook [perspetiva] positivo”, apontando que “apesar da evolução favorável de alguns indicadores, ainda não existem evidências suficientemente robustas e consistentes para justificar uma subida para A”.
Cada agência de rating tem a sua própria escala de avaliação, mas em todas a melhor classificação é o triplo A (AAA) e as letras C ou D indicam avaliações em que o investimento é considerado de risco ou especulativo (vulgarmente designado “lixo”).
O rating é uma classificação atribuída pelas agências de notação financeira que avalia o risco de crédito (capacidade de pagar a dívida) de um emissor, que pode ser um país ou uma empresa.