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A estação pública irlandesa RTÉ anunciou que não participará no Festival da Eurovisão de 2026 caso Israel esteja presente. Em causa está o “genocídio” que Israel está a praticar na Faixa de Gaza, noticiou a própria emissora através de uma nota.
“A posição da RTÉ é que a Irlanda não participará no Festival Eurovisão de 2026 se a participação de Israel for confirmada. A decisão final sobre a participação da Irlanda será tomada após a decisão da UER [União Europeia de Radiodifusão]”, pode ler-se no comunicado.
A RTÉ justificou a decisão com preocupações éticas e humanitárias: “A RTÉ considera que a participação da Irlanda seria inconcebível, dada a contínua e terrível perda de vidas em Gaza. A RTÉ está também profundamente preocupada com o assassinato seletivo de jornalistas em Gaza, a negação de acesso de jornalistas internacionais ao território e a situação dos restantes reféns”.
Com esta posição, a RTÉ torna-se a segunda entre as 37 emissoras que participaram na edição deste ano a condicionar a presença à não participação de Israel. A televisão pública da Eslovénia, RTVSLO, também afirmou que só irá à próxima edição se o país liderado por Netanyahu for excluído.
Também o ministro da Cultura de Espanha, Ernest Urtasun, ameaçou que o país poderá boicotar a próxima edição do festival, caso Israel não seja impedido de participar devido à guerra em Gaza.
Em entrevista ao programa La Hora De La 1, da TVE, Urtasun afirmou que a presença de Israel “não é aceitável” num evento como a Eurovisão. “Este tipo de eventos implica que um país esteja representado”, explicou. “No caso da Eurovisão, não se trata de um artista individual: é alguém que participa em nome dos cidadãos desse país”. O ministro acrescentou que Madrid está disposta a avançar com medidas caso não seja tomada uma decisão pela organização.
As declarações de Ernest Urtasun alinham-se com as do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, que em maio já tinha exigido a exclusão de Israel do concurso, uma vez que Netanyahu está a “exterminar um povo indefeso”. “Ninguém disse nada quando a Rússia foi banida” após a invasão da Ucrânia, recordou.
Face à pressão política, Martin Green, diretor do concurso, sublinhou que a organização está a ouvir os vários membros da União Europeia de Radiodifusão. “Compreendemos as preocupações e as opiniões profundamente enraizadas em torno do conflito no Médio Oriente”, afirmou. “Estamos ainda a consultar todos os membros da UER para recolher posições sobre como gerir a participação e as tensões geopolíticas no Festival da Eurovisão. Cabe a cada emissora decidir se quer participar e respeitaremos qualquer decisão tomada“.
Apesar da polémica, a emissora pública israelita, Kan — que o Governo de Netanyahu ameaça privatizar, acusando-a de ser demasiado alinhada à esquerda — já confirmou que pretende marcar presença na edição de 2026.
O Festival da Eurovisão irá realizar-se no próximo mês de maio em Viena, após a vitória do cantor JJ, que também defendeu publicamente a exclusão de Israel do certame. A decisão final da UER sobre a participação israelita deverá ser conhecida em dezembro.