O contexto era tudo menos fácil, o final trouxe aquilo que se traduz no prolongamento de uma “regra”. Tendo pela frente uma equipa que ainda não tinha perdido no Campeonato, que levava uma série de dez partidas em casa sem derrotas e que era a única sem golos sofridos esta temporada na prova, o Sporting até começou a perder em Famalicão mas acabou por chegar à reviravolta sentenciada por Luis Suárez a meio da segunda parte, depois de mais uma assistência de Pedro Gonçalves que já tinha marcado o golo do empate. Contas feitas, e após a dupla derrota sofrida em 2019/20, os leões alcançaram o nono triunfo consecutivo frente ao Famalicão e regressou aos triunfos na Liga numa jornada onde o Benfica já tinha perdido pontos.

Não há nada como um pai sem pressa para fazer bem as coisas (a crónica do Famalicão-Sporting)

Apesar de ter voltado a sofrer primeiro, como já tinha acontecido com o Nacional (vitória por 4-1) e com o FC Porto (derrota por 2-1), o Sporting manteve o registo 100% vitorioso nos encontros fora para o Campeonato e tornou-se também o melhor ataque da prova com 15 golos, com uma média de três por partida. Em paralelo, e numa perspetiva negativa, os leões sofreram golos pelo terceiro jogo consecutivo, algo que já não acontecia desde março com Rui Borges (sendo que na altura foram sete partidas seguidas sempre a sofrer).

“Claramente demonstrámos que queríamos estar aqui para ganhar. Em 2025 o Famalicão ainda não tinha perdido em casa, portanto, sabíamos as dificuldades. O Famalicão é uma equipa difícil, muito competitiva e bem organizada. Fizeram um golo de bola parada. Corremos quase sempre atrás do prejuízo mas quero sublinhar a capacidade da equipa para dar resposta e não perder o equilíbrio emocional. Fizemos um jogo bastante competente. A vitória acaba por se ajustar ao que fizemos. Variações na equipa? A nossa variabilidade de jogo não mexe independentemente do atleta, os jogadores é que dão as coisas diferentes. Vagiannidis e Ioannidis dão coisas diferentes, estou contente por poder contar com os dois. A equipa teve sempre uma competitividade acima da média”, começou por dizer Rui Borges aos microfones da SportTV.

“É natural que em alguns momentos, muito honestamente, tenha sentido um ou outro jogador mais preso. Mas é normal. Vêm com mais minutos das seleções mas deram uma boa resposta. Na primeira fase de pressão fomos muito intensos, sabíamos que íamos entrar muito nos duelos 1×1. O Famalicão é uma grande equipa e tem feito um início de época fantástico. Ter um ou outro jogador mais fatigado é normal mas nenhum se agarra a esse cansaço. É normal nos últimos cinco minutos termos baixado, o Famalicão também não criou nada. Se estivéssemos muito cansados, não tínhamos dado a resposta que demos depois de sofrermos o 1-0. O Famalicão é feliz na bola parada, a bola ressalta na cabeça do Trincão e vai para um homem sozinho. Foi uma grande vitória, difícil e perante um grande adversário”, acrescentou o técnico.

“Sabemos o grupo que temos e damos sempre o máximo para conseguir ganhar. Não estamos a entrar bem nos jogos e a sofrer golos de bola parada, vamos tentar corrigir isso. Ainda assim, se continuarmos a jogar assim, teremos várias vitórias pela frente. Jogamos sempre para ganhar, a derrota com o FC Porto foi difícil de digerir, depois cada um foi à sua seleção. Quando voltamos ao clube fazemo-lo com a máxima energia e sabemos que vamos lutar por este Campeonato. Conversa com Carevic? Perguntou-me o que tinha pensado no golo e disse-lhe que tentei colocar a bola pelo outro lado mas saiu por baixo das suas pernas. A sorte sorriu-me, espero que me sorria mais vezes. Tento fazer o máximo pelo clube e quero enaltecer o apoio dos nossos adeptos. É um orgulho representar este clube”, tinha comentado antes Pedro Gonçalves ao canal.

Do outro lado, Gustavo Sá, jovem capitão do Famalicão e marcador do único golo da equipa (o primeiro da carreira frente a um grande), destacou a competitividade da equipa mas lamentou uma decisão errada do árbitro António Nobre ao não expulsar Gonçalo Inácio. “Foi um jogo difícil como prevíamos mas até é difícil de digerir pois criámos várias oportunidades. Sentimo-nos um bocado injustiçados pois não percebo os critérios de arbitragem. No final da primeira parte há um lance que deu amarelo para nós e não foi igual para o Sporting 30 segundos depois, que podia ter ido para o intervalo com menos um jogador, o que podia tornar a tarefa mais fácil para nós. Sofremos os primeiros golos à quinta jornada diante do campeão. Queremos mais jogos destes para aumentarmos a competitividade”, apontou o internacional Sub-21.