Afinal, o ataque israelita aos líderes do Hamas em Doha, no Qatar, a 9 de setembro, terá ocorrido com a aprovação tácita dos EUA adiantou esta segunda-feira o Axios.
O o meio de comunicação social norte-americano cita sete funcionários israelitas — três dos quais com conhecimento direto deste dossier — que contradizem a versão da Casa Branca de que os EUA só foram avisados após o lançamento dos mísseis.
Segundo esta versão, Netanyahu terá avisado Trump 50 minutos antes do ataque, dando-lhe tempo para impedir Israel de realizar o ataque. “Trump sabia do ataque antes do lançamento dos mísseis. Primeiro, houve uma discussão a nível político entre Netanyahu e Trump e, depois, por meio de canais militares. Trump não disse que não”, confirma um dos funcionários ao Axios. Um outro adianta que “se Trump quisesse impedi-lo, poderia tê-lo feito, mas, na prática, não o fez”.
Isto é muito diferente do que foi dito a 10 de setembro por altos funcionários dos EUA num exclusivo dado ao Wall Street Journal, em que Trump e Netanyahu terão tido “uma conversa acalorada” quanto ao ataque no Qatar. Segundo os funcionários norte-americanos, o seu chefe de Estado terá transmitido ao seu homólogo israelita uma “profunda frustração por ter sido apanhado de surpresa” pelo ataque a um aliado dos EUA.
Por essa razão, não só a Casa Branca tem negado ter obtido conhecimento atempado que permitisse ordenar o cancelamento do ataque, como — adiantam os funcionários israelitas entrevistados — Israel tem corroborado esta versão para proteger a relação com os aliados norte-americanos.
Prime Minister's Office:
The White House rendition of events is correct. Israel's action against Hamas leaders in Doha was a wholly independent Israeli operation. Israel initiated it, carried it out, and takes full responsibility.
— Prime Minister of Israel (@IsraeliPM) September 15, 2025
Um sinal disso mesmo é a reação por parte do gabinete de Netanyahu a esta notícia, que recorreu à rede social X para afirmar que “a versão dos acontecimentos apresentada pela Casa Branca está correta”, negando assim os depoimentos dos funcionários israelitas sob anonimato.
“A ação de Israel contra os líderes do Hamas em Doha foi uma operação totalmente independente. Israel iniciou-a, executou-a e assume total responsabilidade por ela”, aponta.
Segundo a versão da Casa Branca, Trump foi informado do ataque não por Netanyahu, mas pelas Forças Armadas dos EUA, e , ao saber do que se passava, terá ordenado o seu enviado especial Steve Witkoff a avisar o Qatar. Inclusive, foi apontado que as Forças Armadas dos EUA, ao avistar jatos israelitas no ar, solicitaram uma explicação a Israel, que só chegou depois dos mísseis balísticos terem sido enviados em direção ao complexo do Hamas em Doha.
O ataque israelita provocou seis mortos — cinco membros da comitiva do Hamas e um elemento de segurança qatari —, mas não conseguuiu vitimar qualquer um dos líderes da organização palestiniana. Esta operação, de resto, não só foi alvo de uma condenação do Conselho de Segurança da ONU como motivou o Conselho de Cooperação do Golfo a ativar “mecanismos de defesa conjunta”, após ter condenado “veementemente o ataque israelita e a violação flagrante da soberania” do Qatar.