Donald Trump insinuou, esta segunda-feira, que os representantes dos EUA e da China terão chegado a um acordo sobre o TikTok. Numa publicação na sua rede social, a Truth Social, o Presidente norte-americano avançou que a “grande reunião comercial entre os EUA e a China correu muito bem” e que “terminará em breve”.
“Foi também atingido um acordo sobre uma ‘certa’ empresa que os jovens do nosso país queriam muito salvar. Vão ficar muito felizes!”, diz Trump. O Presidente dos EUA revela ainda que falará com o homólogo chinês esta sexta-feira.
Esta publicação é feita quando os representantes dos EUA e da China estão reunidos em Madrid, Espanha, para discutir temas comerciais. O encontro acontece a poucos dias do fim do prazo estabelecido pelos EUA ao TikTok — caso não encontre um comprador para os ativos que tem nos EUA até 17 de setembro, a rede social será bloqueada em território norte-americano.
As declarações de Trump surgem depois das afirmações de Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, que anunciou que tinha sido atingido um “enquadramento” para um acordo sobre o TikTok.
“É entre duas entidades privadas, mas os termos comerciais foram acordados”, disse Bessent em Madrid, citada pelo CNBC.
O braço de ferro entre os EUA e o TikTok começou ainda durante o primeiro mandato de Donald Trump. Na altura, o Presidente dos EUA considerou a rede social um risco para a segurança nacional devido ao facto de a dona do TikTok, a ByteDance, ser uma empresa criada na China. Durante o mandato de Joe Biden, foi estabelecido um prazo para que o TikTok cortasse ligações com a China — se isso não acontecesse, a app seria bloqueada nos EUA.
Esse prazo terminou a 19 de janeiro de 2025, um dia antes de Trump regressar à Casa Branca. Durante algumas horas, a app esteve efetivamente bloqueada nos EUA. A 20 de janeiro, quando regressou à Casa Branca, Trump assinou uma ordem executiva a alargar o prazo para que o TikTok negociasse uma venda. O Presidente dos EUA já deu três extensões de data, cada uma com 90 dias, ao TikTok.
A China sempre se mostrou relutante em negociar uma venda dos ativos do TikTok nos EUA, onde a aplicação tem mais de 170 milhões de utilizadores.
Ao longo dos últimos meses, várias empresas e consórcios demonstraram interesse em comprar os ativos do TikTok. O Project Liberty, fundado pelo multimilionário norte-americano Frank McCourt, formalizou em janeiro uma oferta. Em janeiro, Trump também sugeriu que a Microsoft estaria interessada no TikTok — em 2020, a dona do Windows mostrou interesse na plataforma, mas o negócio não evoluiu.
Em junho, Trump deixou no ar que haveria um grupo “de gente muito rica” preparado para ficar com a rede social. Prometeu mais detalhes duas semanas depois — uma revelação que até agora ainda não aconteceu.
Noutras ocasiões, Trump também sugerir que estaria disponível para aceitar uma oferta de Larry Ellison, da Oracle, ou até de Elon Musk.