Donald Trump chegou ao Reino Unido na noite de terça-feira para a sua segunda visita de Estado ao país enquanto Presidente dos EUA. As próximas 48 horas serão marcadas por pompa e circunstância, mas são igualmente esperados protestos, que já eram esperados e que levaram à detenção de quatro pessoas suspeitas de projetar na lateral do castelo de Windsor um vídeo alusivo ao caso de Jeffrey Epstein. As cerimónias do primeiro de visita culminaram com um banquete que reuniu 160 pessoas, mas centrado em Carlos III e Trump, que utilizaram a oportunidade para destacar a “relação especial” entre os dois países.
Depois de passar a noite na residência do embaixador dos EUA, em Londres, o Presidente norte-americano e a primeira dama, Melania Trump, chegaram a Windsor de helicóptero, onde foram recebidos pelo príncipe e pela princesa de Gales, William e Kate. Logo de seguida, encontraram-se com o Rei Carlos III e a rainha Camila.
Seguiram depois numa procissão de carruagens a percorrer a propriedade de Windsor em direção ao castelo, com o regimento de cavalaria montada a escoltar a procissão. O trajeto foi ladeado por membros das forças armadas britânicas, com Donald Trump e Carlos III a seguir numa carruagem sozinhos enquanto, atrás deles, Melania Trump e Camila os seguiam noutra carruagem puxada por cavalos.
Chegados ao castelo, ouviram-se os hinos dos EUA e do Reino Unido. Uma guarda de honra saudou a festa e o Rei convidou Trump a juntar-se a ele para a revistar.
Seguiu-se um almoço com o Rei Carlos e a rainha Camila dentro do castelo e a visita do Presidente dos EUA ao túmulo da rainha Isabel II que foi assinalada nas redes sociais da Família Real Britânica com uma fotografia de Trump ao lado de Isabel, em 2019.
???????? ???????? This afternoon, The President and Mrs. Trump laid a wreath at the Tomb of Queen Elizabeth II. The President and the First Lady spent time with The late Queen during their State Visit in 2019. Following Her Majesty’s death in 2022, President Trump released a tribute to her,… pic.twitter.com/2MzX4NtMlj
— The Royal Family (@RoyalFamily) September 17, 2025
Depois, fora do castelo, teve lugar um espetáculo aéreo com os Red Arrows (“Setas Vermelhas”), oficialmente denominados como Royal Air Force Aerobatic Team. Imagens do momento foram partilhadas na rede social X pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Spectacular fly over at Windsor Castle for President Trump! ???????????????? pic.twitter.com/IgUicU1rXE
— Karoline Leavitt (@PressSec) September 17, 2025
O ministério da Defesa do Reino Unido, citado pela CNN Internacional, descreveu a cerimónia de boas-vindas desta quarta-feira como “sem precedentes”, com cerca de 1.300 membros das forças armadas britânicas presentes e 120 cavalos envolvidos.
À noite, realizou-se no castelo um banquete de Estado tradicional elaborado por 20 chefs e com 160 convidados, durante o qual o Rei britânico e o Presidente norte-americano fizeram discursos que ficaram marcados pelo destaque dado à “relação especial” entre os dois países e elogios mútuos entre Donald Trump e o Rei Carlos III.
Em Windsor a pompa e circunstância e em Londres os protestos contra a receção a Trump ficam aquém do esperado
A menos de 40 quilómetros de Windsor, onde Donald Trump foi recebido com honras de Estado, decorrem protestos contra a visita do Presidente dos EUA. No centro de Londres, algumas centenas de pessoas reuniram-se em frente à sede da rede de televisão BBC para protestar e movem-se agora pelo centro da capital britânica. No entanto, o número de manifestantes fica, para já, aquém do esperado.
Muitos dos manifestantes seguram balões de Trump representado como um bebé de fralda laranja, uma referência ao balão de grandes dimensões que se tornou num símbolo dos protestos contra a primeira visita do republicano, no seu primeiro mandato à frente da Casa Branca, em 2018. Em 2019, os protestos repetiram-se, perante a primeira visita de Estado oficial do republicano, e levaram às ruas cerca de 200 mil pessoas.
▲ Os balões de Trump representado como um bebé laranja
dpa/picture alliance via Getty I
As imagens dos protestos desta quarta-feira, mostram cartazes em que se lê: “Não ao racismo, não a Trump” e “Acabem com o genocídio, parem Trump.”
Também em Windsor há quem proteste. Uma residente, Amy Tisi, disse à Sky News que embora esteja habituada a grandes eventos no castelo, não vê com bons olhos a visita de Donald Trump.
“Preocupam-me as notícias sobre os direitos das mulheres, a forma como as coisas estão a correr nos EUA e toda uma série de coisas que me preocupam e que podem vir a afetar-nos”, afirmou, criticando ainda o dinheiro a ser gasto em demasia nas boas vindas dadas a Trump.
▲ Em cartazes de protestos lê-se que Trump "não é bem vindo"
dpa/picture alliance via Getty I
“Com a pressão financeira a que o país está sujeito, parece que está a ser gasto muito dinheiro com aquele homem”, notou Tisi.
Os elogios mútuos e “uma das maiores honras” da vida de Trump: os discursos no Banquete de Estado
Depois de um dia repleto de cerimónias e tradições que estão enraizadas na coroa britânica, chegou a hora da última atividade: o Banquete de Estado. São 160 convidados distribuídos por uma mesa de 50 metros, dentro da Sala de São Jorge do Castelo de Windsor, e os pratos confecionados por 20 chefs britânicos. Apesar das centenas de personalidades presentes, os holofotes estavam no Rei Carlos III e em Donald Trump.
A regra dita que o monarca e o Presidente dos Estados Unidos da América devem sentar-se um ao lado do outro, no centro da mesa, diretamente opostos à rainha Camila e à primeira-dama norte-americana. E, como é tradição, o banquete começa apenas após um discurso do líder da casa real do Reino Unido.
O discurso de Carlos começou com um nota de boas-vindas aos Trumps, referindo que é “um grande prazer” receber Donald e Melania, nesta que é uma ocasião “única” e “importante”, que reflete a ligação entre os dois países. Foram declarações que, para além de enaltecerem o evento e as circunstâncias que os unem em Windsor, também tiveram espaço para partilhar algum humor. “Entendo que o solo britânico é propício para campos de golfe esplêndidos”, brinca o monarca, antes de voltar a destacar a relação “especial” entre o Reino Unido e os EUA: “Desde York a Nova Iorque, de Birmingham, Inglaterra a Birmingham, Alabama”.
Para sublinhar a relação de proximidade entre Washington e Londres, o Rei Carlos III fez uma referência que remete para um rumor que inundou a imprensa internacional na década de 1970. “Se a imprensa tivesse tido sucesso nos anos 70 na sua tentativa de aprofundar uma relação especial, eu próprio teria casado dentro da família Nixon”, conta o britânico.
Brincadeiras à parte, Carlos focou uma grande parte do seu espaço de intervenção à mesa aos conflitos militares que abalam o mundo atualmente. “Hoje, com a tirania a ameaçar novamente a Europa, nós e os nossos aliados estamos unidos em apoio à Ucrânia, para dissuadir a agressão e garantir a paz”, afirma o monarca, referindo que esta é uma mensagem importante que os Estados europeus querem enviar a Trump. “Os nossos países têm a relação de defesa, de segurança e de serviços secretos mais próxima que alguma vez se conheceu”, remata.
Nesta linha de pensamento, aproveitou a oportunidade para elogiar “o compromisso pessoal” de Donald Trump para “encontrar soluções para alguns dos conflitos mais intratáveis do mundo”. Com esta ideia concluída, Carlos voltou a sentar-se, dando toda a atenção da mesa ao Chefe de Estado norte-americano. Trump começou por mostrar-se “profundamente agradecido” pela receção do Rei e da rainha no Castelo de Windsor, acrescentando que tem sido um “privilégio singular” ser o primeiro Presidente dos EUA a ser convidado para uma visita de Estado em duas ocasiões separadas.
É “uma das maiores honras” da vida de Donald Trump ser recebido pela monarquia britânica pela segunda vez, mas o líder norte-americano brinca e diz que espera que esta seja a última vez que o faz. Não obstante, não deixa de sublinhar o “enorme respeito” que sente pelo Reino Unido e salienta a “ligação” entre os dois países. Do lado de Washington, o termo “relação especial” não “faz justiça” à dinâmica que existe com Londres.