Afinal, o operador do drone que sobrevoou o palácio presidencial de Belweder e vários edifícios do governo em Varsóvia no início da semana é um cidadão ucraniano, de 21 anos, informaram as autoridades polacas esta terça-feira, contrariando o primeiro-ministro Donald Tusk que tinha falado em “dois bielorrussos” detidos. Há de facto uma detida da Bielorrússia, uma jovem de 17 anos, amiga do piloto e que foi tratada como testemunha. O jovem ucraniano vai agora pagar uma multa e ser deportado da Polónia.
As informações foram reveladas por Jacek Dobrzyński, porta-voz do ministro coordenador dos serviços de informação. O caso, que ocorreu poucos dias depois da entrada de vários drones russos em território polaco, deixou as autoridades de segurança em “alerta elevado”, segundo a televisão pública polaca TVP World.
“Os agentes do Serviço de Proteção do Estado agiram com muita vigilância e rapidez, identificando as pessoas que operavam o drone. Trata-se de uma jovem bielorrussa e do seu amigo ucraniano, ambos na casa dos vinte anos”, explicou depois o porta-voz, dizendo que o serviço deteve as pessoas e depois entregou-as à polícia.
De acordo com a TVP World, as autoridades acusaram o jovem ucraniano de ter violado a lei de aviação da Polónia por operar um drone numa zona de exclusão aérea de forma não autorizada. O jovem terá confessado ter pilotado o dispositivo e aceitou um acordo judicial, tendo de pagar uma multa de 940 euros, explica a televisão.
Os procuradores terão instruído também a guarda fronteiriça a iniciar o processo de deportação, que implica ainda a proibição de reentrada por cinco anos na Polónia e em todo o Espaço Schengen, noticiou ainda a televisão.
Jacek Dobrzyński, à TVN24, desmentiu “os rumores de que se trata de uma ação de espionagem em massa”. “Nesta fase, ninguém é capaz de afirmar isso com certeza”, continuou.
“São jovens, talvez tenha sido por imprudência, talvez por ignorância, talvez porque queriam fazer um filme aqui no Parque Łazienki”, acrescentou. Este parque mencionado fica perto do palácio presidencial e da zona dos edifícios do governo, tendo o porta-voz explicado que os dois detidos foram encontrados lá e que “foi de lá que o drone foi lançado”.
O órgão de comunicação social polaco Onet noticiou que a Agência de Segurança Interna da Polónia terá analisado o conteúdo dos telemóveis dos detidos, não havendo provas de qualquer ligação à espionagem. Já o porta-voz da procuradoria distrital de Varsóvia, Piotr Antoni Skiba, citado pela agência polaca PAP, confirmou que as autoridades estavam a investigar o caso como “uma quebra da lei de aviação, e não como espionagem”.