Ryan Routh, de 59 anos, foi esta terça-feira declarado culpado pela tentativa de homicídio de Donald Trump, então candidato presidencial, num campo de golfe na Florida no dia 15 de setembro de 2024. O júri, composto por cinco homens e sete mulheres, considerou-o responsável por todas as acusações, incluindo posse de arma de fogo para promover um crime violento, agressão a um agente federal, posse de munições e posse de arma de fogo com número de série apagado, noticiou a BBC.
O arguido, natural da Carolina do Norte, declarou-se inocente no dia 30 de setembro de 2024, altura em que foi presente a tribunal, em Miami, para ser formalmente acusado. Agora, durante o julgamento no tribunal federal de Fort Pierce, que se iniciou no dia 8 de setembro deste ano, fez a sua defesa sem qualquer advogado.
Ryan Routh declara-se inocente perante a acusação formal da tentativa de assassinato de Donald Trump
Durante o julgamento, os procuradores afirmaram que Routh planeou o ataque durante várias semanas, sendo que o procurador John Shipley disse, no seu discurso final, que “as ações dizem o contrário” da imagem de não-violento que o arguido tentou passar, acrescentando: “Têm uma montanha de provas que mostram o quão perto ele esteve de levar isto a cabo. Tinha uma bala na câmara [da arma] e [o gatilho da] segurança desligado”.
Routh, por seu turno, disse ao júri que não pretendia matar ninguém. Na argumentação final, o arguido fez referências a Hitler, Putin e à evolução humana. Falou, ainda, de si próprio na terceira pessoa, abordou episódios da história norte-americana e a guerra na Ucrânia (Routh apoiou incondicionalmente Kiev desde que a invasão russa começou. Nas semanas seguintes ao início do conflito, o suspeito mostrou estar disposto para se “oferecer como voluntário, lutar e morrer” pelos ucranianos).
Na sua versão dos acontecimentos, Routh reiterou que nunca teve intenção de matar Trump, afirmando: “É difícil acreditar que tenha ocorrido um crime se o gatilho nunca foi puxado“.
Após a leitura do veredito, Routh tentou magoar-se com uma caneta na sala de audiências, mas foi rapidamente impedido pelas autoridades presentes. A sentença foi marcada para 18 de dezembro. A tentativa de homicídio de um candidato presidencial, de acordo com a justiça norte-americana, implica uma potencial pena de prisão perpétua.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, reagiu na sua rede social à decisão do júri, escrevendo: “Parabéns à procuradora-geral Pam Bondi, ao procurador-geral adjunto Todd Blanche e a toda a equipa do Departamento de Justiça pela decisão, na Flórida, em relação à pessoa que tentou assassinar-me”.
“Era um homem malvado com intenções maléficas”, disse o líder da Casa Branca na Truth Social, acrescentando que este foi “um momento muito importante para a JUSTIÇA NA AMÉRICA!”.
Truth Social
A procuradora-geral, Pam Bondi, afirmou, na rede social X, que “esta tentativa de assassinato não foi apenas um ataque ao Presidente, mas uma afronta à própria nação”, sublinhando que “o veredito de culpado proferido hoje [terça-feira] contra Ryan Routh, o suposto assassino de Trump, ilustra o compromisso do Departamento de Justiça em punir aqueles que se envolvem em violência política”.
Today’s guilty verdict against would-be Trump assassin Ryan Routh illustrates the Department of Justice’s commitment to punishing those who engage in political violence.
This attempted assassination was not only an attack on our President, but an affront to our very nation…
— Attorney General Pamela Bondi (@AGPamBondi) September 23, 2025
Já o diretor do FBI, Kash Patel, mostrou-se “orgulhoso” do trabalho realizado e declarou, também no X, que ainda há “muito trabalho a fazer para travar a violência política e garantir que quem se envolve neste comportamento hediondo seja retirado das ruas e colocado atrás das grades”.
Proud of the FBI and our partners for working together to deliver justice against Ryan Routh, the individual who attempted to assassinate President Trump.
We have a lot more work to do to crack down on political violence and make sure those who engage in this heinous behavior…
— FBI Director Kash Patel (@FBIDirectorKash) September 23, 2025
O ataque ocorreu a 15 de setembro de 2024, no Trump International Golf Club, em West Palm Beach, a poucos quilómetros da residência de Trump em Mar-a-Lago. Segundo o relato em tribunal, um agente do Serviço Secreto avistou o cano de uma arma a sair de uns arbustos e disparou contra o homem escondido, que foi identificado como Routh, um homem de 59 anos que passou a maior parte da sua vida na Carolina do Norte, antes de se mudar para Kaaawa, na ilha de Oahu, no Havai. Em 2018 fundou uma empresa de construção e descreve-se como uma pessoa “enérgica” e “incansável”, que estava “constantemente focada em contribuir o máximo possível para a comunidade”.
No local onde foi encontrado estava a arma, uma mira, duas mochilas, uma câmara GoPro, uma lista com locais onde Trump estaria presente e uma nota dirigida a um amigo na qual referia tratar-se de “uma tentativa de assassinato contra Donald Trump“. Estava também a usar um colete à prova de bala. Quando percebeu que tinha sido visto, fugiu mas acabou por ser detido.
Ryan chegou a votar em Donald Trump nas eleições presidenciais de 2016, tendo “ajudado” o republicano a vencer a corrida à Casa Branca. No entanto, quatro anos depois, retirou esse apoio e mostrou estar desiludido: “Eu e o mundo esperávamos que o Presidente Trump fosse diferente e melhor do que o candidato, mas todos ficámos muito desapontados e parece que está a piorar e a deteriorar-se”, escreveu na sua conta na rede social X, que entretanto foi suspensa.