O líder do PS acusou esta terça-feira o primeiro-ministro de “grande desumanidade” nas declarações sobre o maior ressurgimento de barracas em autarquias socialistas e comunistas, questionando se sabe que estas estão a nascer maioritariamente dentro dos terrenos do Estado.
“Entendi ser uma declaração, como aliás já é costume, de uma grande desumanidade, porque o doutor Luís Montenegro devia saber que as pessoas que saíram de Lisboa, muitas delas por falta de resposta habitacional, por falta de condições de vida, aumentou o número de sem abrigo e muitos procuraram nas periferias de Lisboa a resposta, que é uma resposta com muita indignidade”, respondeu José Luís Carneiro aos jornalistas no final da primeira ação de campanha no dia, em Faro.
Na opinião do secretário-geral do PS, esta situação deveria “interpelar o primeiro-ministro do país para responder aos cidadãos sobre aquilo que está a fazer para responder à habitação”.
“Já agora faço uma pergunta que gostava que o doutor Luís Montenegro pudesse responder: o doutor Luís Montenegro, por acaso, tem consciência de que uma parte onde mais barracas estão a nascer é dentro dos terrenos do Estado e do Instituto de Habitação”, questionou.
Segundo Carneiro, se o primeiro-ministro não tem conhecimento desta situação “deve visitar e deve perguntar” o que está o Ministério das Infraestruturas “a fazer para responder a um problema grave do ponto de vista social”.
Ainda sobre habitação, o líder do PS voltou a criticar que o Governo considere que “uma renda de 2.300 euros é uma renda moderada”, apontando o estudo que “mostra que só uma pequenina percentagem da população portuguesa tem rendimentos que se enquadram na resposta que o Governo está a dar”.
“A resposta que o Governo está a dar é uma resposta boa para a especulação. E para esse efeito, o que vai acontecer é que vamos conhecer uma subida dos custos de habitação, que vai continuar a subir em espiral, como já aconteceu”, avisou.
Questionado sobre se já tinha conseguido perceber como é que o executivo tinha chegado a este valor de renda moderada, Carneiro respondeu que não.
“Também verifiquei o exercício da acrobacia que fez o ministro das Infraestruturas, e nesse exercício da acrobacia não conseguiu responder às perguntas que lhe foram formuladas, aliás por um jornalista reputado, que lhe fez várias perguntas de onde é que foram buscar esse valor da renda moderada de 2.300 euros”, criticou.
Pelas contas do PS, para se alcançar o esforço dos 40% que fala Miguel Pinto Luz “tem que se ganhar na casa dos 7.000 a 8.000 euros para conseguir responder a essa renda moderada”.
“Ora, quem ganha 7.000 a 8.000 euros ganha simplesmente mais do que ganha o próprio primeiro-ministro de Portugal”, disse.
O líder do PSD afirmou esta terça-feira que as barracas e bairros de lata têm ressurgido sobretudo em autarquias socialistas e comunistas, defendendo que os presidentes de câmara sociais-democratas “não ficam a olhar” para este problema.
Luís Montenegro falava num almoço com todos os autarcas do distrito de Lisboa, a que só faltaram os independentes Isaltino Morais (Oeiras) e Sérgio Galvão (Torres Vedras) e no qual se centrou, sobretudo, nos problemas da habitação e segurança na Área Metropolitana de Lisboa.
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Carneiro critica desconsideração por autarquias que substituem Estado na habitação
“Não podia, ao falar de habitação, deixar de lamentar as palavras tão tristes, tão desumanas do primeiro-ministro que hoje, quando falou das pessoas que estão a viver em construções precárias e em barracas na Área Metropolitana de Lisboa, tenha afirmado que essas barracas nascem e aparecem nos municípios socialistas e nos municípios comunistas”, criticou José Luís Carneiro no discurso desta noite no comício da apresentação da recandidatura de Ana Paula Martins à Câmara de Tavira, distrito de Faro.
O líder socialista questionou como é que um “Governo que não responde às necessidades” na habitação atribua responsabilidades “a quem as não tem”, ou seja, aos autarcas, lembrando que nesta área há uma “responsabilidade constitucional” do executivo.
“Os autarcas, pela sua generosidade e pelo seu sentido de serviço ao país, aceitaram desenvolver as estratégias locais de habitação para auxiliarem o Estado a concretizar aquele que é um dos seus objetivos e aquele que deve ser uma das suas prioridades fundamentais”, disse, lamentando que as autarquias se substituam ao Estado “e o Estado desconsidere assim as autarquias”.
Carneiro sugeriu ao primeiro-ministro que vá ao Almada, aos terrenos do IRHU, “onde foram construídas 800 construções ilegais em terrenos do Estado”.
“Mas, mais grave, há dois anos que a presidente da Câmara Municipal de Almada pede ao Governo e ao Ministério das Infraestruturas para encontrar uma solução para aquelas habitações ilegais e até hoje não teve sequer uma resposta do Governo”, condenou.