O cabeça de lista do Partido Liberal Social (PLS) à Câmara do Porto quer criar uma estratégia municipal para combater a adição ao jogo, como forma de mitigar o que considera um flagelo que afeta o país.
A medida, esta quinta-feira apresentada à Lusa por Luís Tinoco Azevedo, assenta num estudo realizado para o Conselho Económico e Social (CES) levado a cabo por Luís Aguiar-Conraria e Pedro Morgado e insere-se num dos “cinco pilares estratégicos” da candidatura para a cidade, no caso a qualidade de vida.
“O estudo conclui que as pessoas com menos recursos e menos estudos são as que mais jogam. Acreditamos na liberdade de escolha, mas achamos que cidadãos informados tomam melhores escolhas. Temos de ajudar as pessoas a tomar as escolhas que gostariam de tomar”, defendeu o candidato.
Para isso, quer “desenvolver uma estratégia municipal, aproveitando os ‘placards’ digitais, que usa para divulgar a sua agenda cultural”, e ali poder dar “recomendações” e informações sobre os riscos da adição ao jogo, bem como “as possibilidades reais de se enriquecer com raspadinhas, que são muito baixas”.
“Tem impacto não só na carteira como ao nível mental”, lamentou.
Além da comunicação, pretende-se, depois, “ajudar quem quer sair” dessa adição, como “consequência lógica”, podendo ajudar munícipes com “aconselhamento psicológico”.
Outro ponto relacionado no programa do PLS prende-se com a saúde mental digital, em particular de crianças e jovens, os mais afetados pelo que apelidou de “uma mega experiência coletiva” com “termos um ‘smartphone’, com as redes sociais, nos nossos bolsos, todo o dia, a mandar notificações”.
O “impacto” que isso tem nos jovens, ao arrepio de um “uso informado e consciente”, tem afetado os mais novos, razão pela qual o partido partilha as recomendações da Sociedade Portuguesa de Neuropediatria.
“Queremos divulgar estas recomendações, e definir as que são a nível municipal. Divulgá-las pelas escolas e ajudar as escolas a implementar estas regras, e fazer a divulgação nesses cartazes digitais, para ajudar a aumentar o conhecimento sobre um bom uso destas tecnologias”, acrescentou.
Concorrem à Câmara do Porto Manuel Pizarro (PS), Diana Ferreira (CDU – coligação PCP/PEV), Nuno Cardoso (Porto Primeiro – coligação NC/PPM), Pedro Duarte (coligação PSD/CDS-PP/IL), Sérgio Aires (BE), o atual vice-presidente Filipe Araújo (Fazer à Porto – independente), Guilherme Alexandre Jorge (Volt), Hélder Sousa (Livre), Miguel Corte-Real (Chega), Frederico Duarte Carvalho (ADN), Maria Amélia Costa (PTP) e Luís Tinoco Azevedo (PLS).
O atual executivo é composto por uma maioria de seis eleitos do movimento de Rui Moreira e uma vereadora independente, sendo os restantes dois eleitos do PS, dois do PSD, um da CDU e um do BE.
As eleições autárquicas realizam-se a 12 de outubro.