O cabeça de lista do PPM/PTP à Câmara de Lisboa defendeu esta quinta-feira uma reestruturação urbana na zona do Beato, à semelhança do que foi realizado na zona Oriental da cidade aquando da Expo 98, promovendo a criação de emprego e habitação.

Em declarações à agência Lusa durante uma ação de campanha para as eleições autárquicas de dia 12, Tomaz Ponce Dentinho explicou que a ideia será desenvolver no Beato “uma polaridade semelhante à que existe na Expo” e à que o partido também defende que deveria “existir em Alcântara e em Belém, juntamente com Algés”.

“Todos os sítios merecem ter um tratamento especial”, salientou, considerando que os locais devem ser pensados “em função do desenvolvimento”.

Portanto, acrescentou, orientados “para empregos exportadores, porque a cidade de Lisboa, para além de ser importante para os seus residentes, é também importante para a área metropolitana, para Portugal e para o mundo”.

Insistindo na necessidade de não se “menosprezar o capital produtivo da cidade de Lisboa”, o candidato do PPM/PTP considerou que são os votantes que têm de ter essa responsabilidade.

“Naturalmente, não votam apenas para terem casas melhores, para terem arruamentos melhores, para terem melhores serviços, votam também para terem empregos e para terem espaço para criar empregos”, frisou.

Tomaz Ponce Dentinho lembrou que há 100 anos um grupo de empresários fez no Beato a Sociedade de Têxtil do Sul (proprietária da Vila Flamiano, a vila operária que abrigava cerca de 60 pessoas), que alimentava os Grandes Armazéns do Chiado e promoveu uma mudança grande, mas com a “globalização progressiva” passou a ter competição de outros países e “houve uma dificuldade em reativar”.

O candidato defendeu, por isso, a necessidade de se redescobrir a vocação dos locais, nomeadamente do Beato, “em termos de emprego e residência e de utilização”, num processo que deve envolver todos os agentes: câmara, junta de freguesia, empresários.

Ainda de acordo com Tomaz Ponce Dentinho, a proximidade da freguesia ao Porto de Lisboa “justifica pensar com as pessoas do porto qual pode ser a função do espaço em termos de criação de emprego, escritórios, fazendo a conexão entre o Porto e o interior do Beato”.

Tomaz Ponce Dentinho lembrou também que há “muita mão-de-obra disponível nos bairros de Chelas e de Marvila” e, por isso, criar emprego no Beato seria uma “forma de resolver o problema social”, com “mais empregos e mais bem pagos”.

“Em termos de arquitetura e do urbanismo, há aqui alguma recuperação a fazer, mas digamos que isso é o complementar da vocação económica que tem e da estrutura hidrológica que tem”, acrescentou, reiterando que é preciso saber qual é a vocação dos sítios.

“Tentar moldar, não com um plano bonitinho, mas com os empresários, com os donos do terreno, com toda a gente e, sobretudo, aqueles que estão interessados em ganhar […], os trabalhadores que estão ali em cima. Às vezes, é preciso mobilizar estas vontades, portanto, não basta um bom desenho no papel, um bom desenho no papel é uma primeira indicação de uma intenção”, afirmou.

Em abril a Câmara de Lisboa aprovou a criação da Área de Reabilitação Urbana (ARU) do Vale de Chelas, que permitirá uma intervenção integrada de requalificação e regeneração urbana e ambiental deste território, com cerca de 194 hectares, que abarca áreas das freguesias do Areeiro, Beato, Marvila e Penha de França.

Além de Ponce Dentinho, concorrem à Câmara de Lisboa nas eleições de 12 de outubro, o atual presidente Carlos Moedas (PSD/CDS-PP/IL), Alexandra Leitão (PS/Livre/BE/PAN), João Ferreira (CDU-PCP/PEV), Bruno Mascarenhas (Chega), Ossanda Líber (Nova Direita), José Almeida (Volt), Adelaide Ferreira (ADN) e Luís Mendes (RIR).

Atualmente, o executivo municipal integra sete eleitos da coligação “Novos Tempos” – PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança, sete eleitos da coligação “Mais Lisboa” – PS/Livre, dois da CDU e um do BE.