Com a campanha autárquica oficialmente em curso desde o início desta semana, o antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho mobilizou-se para uma ação de campanha na Amadora para apoiar a candidatura social-democrata no concelho. A meados de maio, o ex-presidente do PSD também participou na campanha legislativa de Luís Montenegro, declarando o seu apoio ao atual chefe do Governo numa altura em que se especulava uma possível viragem para o Chega. Contudo, com eleições presidenciais a cerca de três meses, Passos Coelho diz que ainda não sentiu a necessidade de pronunciar apoio ao candidato escolhido pelo seu partido.
“Sinceramente, não vejo razão alguma para me amarrar à obrigação de um dia me vir a pronunciar sobre apoio a um candidato presidencial, nem para jurar nunca o vir a fazer”, disse ao Expresso, quando questionado sobre o assunto. Mesmo estando Luís Marques Mendes em cima da mesa, também antigo líder do PSD, Pedro Passos Coelho prefere “deixar tudo em aberto”.
O ex-primeiro-ministro não é o único social-democrata que não se coloca ao lado da candidatura de Marques Mendes. Rui Rio, o antecessor de Luís Montenegro, é mandatário de Henrique Gouveia e Melo e Durão Barroso admite estar dividido entre o liberal João Cotrim de Figueiredo e o socialista António José Seguro. Passos Coelho limita-se a admitir: “O futuro dirá se verei ou não necessidade de intervir nessa matéria”.
Por seu turno, o candidato a Belém apoiado pelo PSD não vê o silêncio como uma crítica ou falta de apoio, recorda o Expresso, invocando as declarações de Marques Mendes numa entrevista à SIC. O social-democrata reconhece que Passos Coelho é um político “corajoso” e que, se este decidir não prestar o seu apoio publicamente, é porque está “fora da vida política”. Luís Marques já coleciona o apoio do atual líder do partido e ainda de Francisco Pinto Balsemão e Manuela Ferreira Leite.