Os quatro ativistas portugueses — Mariana Mortágua, Sofia Aparício, Miguel Duarte e Diogo Chaves — que seguiam na flotilha humanitária a caminho de Gaza e que foram detidos por Israel terão de pagar o “valor integral do custo da viagem” de regresso a Portugal. A informação foi confirmada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) aos jornalistas esta terça-feira.
Ao Observador, Mariana Mortágua afirma que ainda não foi notificada formalmente e que recebeu esta informação através da imprensa.
O ministério liderado por Paulo Rangel acrescentou que o Estado português adiantou esse valor por “razões logísticas e de ordem prática”, destacando a “impossibilidade de comunicação prévia com estes cidadãos nacionais”.
“A acompanhar o ofício seguiu também o Formulário de Pedido de Reembolso do custo da viagem que cabe a cada um, nos termos do regulamento consular”, informa ainda o MNE.
Mortágua reagiu pouco depois na rede social X. “O governo decidiu imputar o custo a quem levava ajuda humanitária contra o genocídio. Um governo decente mandaria a fatura ao genocida”, afirmou a líder e deputada única do Bloco de Esquerda.
“Pagarei o bilhete, comprando a prova de que há ministros sem espinha”, atirou. E acrescentou: “O destino era Gaza. Não era Israel, para onde fomos levados ilegalmente.”
O destino era Gaza. Não era Israel, para onde fomos levados ilegalmente. O governo decidiu imputar o custo a quem levava ajuda humanitária contra o genocídio. Um governo decente mandaria a fatura ao genocida. Pagarei o bilhete, comprando a prova de que há ministros sem espinha.
— mariana mortágua (@MRMortagua) October 7, 2025
Na semana passada, o líder do Chega, André Ventura, questionou quem iria pagar os custos associados ao regresso a Portugal de Mariana Mortágua. “É ela que vai pagar? É ela que vai pagar todos os custos que agora vamos ter diplomáticos, consulares, protocolares, de transporte, por causa, francamente, de um absurdo, de um ego maior do que a própria pessoa?”, questionou.
Também João Almeida, deputado do CDS-PP, afirmou publicamente que não queria os portugueses a pagar o processo de deportação dos portugueses na flotilha humanitária que seguia a caminho de Gaza.
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